Exportações do Brasil aos EUA têm pior desempenho em cinco anos
Tarifas elevadas e queda nas vendas de petróleo impactaram as exportações brasileiras aos Estados Unidos em 2025
Exportações brasileiras para os EUA recuam 6,6% em 2025 e tarifas e petróleo explicam a queda. Foto: Canva
As exportações brasileiras para os Estados Unidos encerraram 2025 com a maior retração dos últimos cinco anos, interrompendo o ritmo de crescimento observado desde a recuperação pós-pandemia. As vendas ao mercado norte-americano somaram US$ 37,7 bilhões, queda de 6,6% em relação a 2024, conforme o Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil a partir de dados oficiais.
O desempenho negativo contrastou com o avanço das exportações brasileiras para outros parceiros estratégicos, como China, União Europeia e Mercosul. Com isso, a participação dos Estados Unidos na pauta exportadora nacional recuou de 12,0% para 10,8%, o menor nível desde 2020.
Para Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, o resultado acende um alerta sobre o comércio bilateral. “A queda das exportações brasileiras aos Estados Unidos em 2025 interrompe uma trajetória saudável observada nos últimos anos. Para retomar esse dinamismo, especialmente nos bens industriais, será fundamental avançar nas negociações para reduzir ou eliminar as sobretaxas atualmente em vigor”, afirmou.
Tarifas e petróleo pesam sobre o resultado
De acordo com a Amcham Brasil, dois fatores explicam a retração das exportações em 2025. O principal deles foi o impacto das sobretaxas aplicadas a produtos brasileiros. As vendas de bens sujeitos a tarifas de 40% ou 50% caíram 9,5% no ano, o equivalente a uma perda de US$ 1,5 bilhão. Já os produtos atingidos pelas medidas da Seção 232, como os do setor siderúrgico, registraram recuo de 4,1%, com redução de US$ 353 milhões.
Os efeitos das tarifas se intensificaram no segundo semestre. Entre agosto e dezembro, período em que as alíquotas mais elevadas entraram em vigor, as exportações de produtos sujeitos às sobretaxas recuaram 21,6%, passando de US$ 11,2 bilhões em 2024 para US$ 8,8 bilhões em 2025.
Outro fator relevante foi a queda nas vendas de petróleo bruto e combustíveis, que somaram retração de US$ 1,2 bilhão. Nesse caso, o movimento esteve associado ao aumento da produção interna nos Estados Unidos, sem relação direta com as tarifas.
Além do setor energético, também apresentaram quedas expressivas as exportações de celulose, semimanufaturados de ferro e aço, madeira, motores de pistão, minério de ferro e equipamentos de engenharia civil.
Indústria tem primeira retração desde 2020
Responsável por mais de 80% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, a indústria de transformação registrou em 2025 sua primeira queda desde 2020. As vendas do setor recuaram 4,2%, totalizando US$ 30,2 bilhões.
Apesar do recuo, os Estados Unidos permaneceram como o principal destino das exportações industriais brasileiras, com 16% de participação, à frente da União Europeia e do Mercosul.
Importações crescem e déficit se amplia
Na contramão das exportações, as importações brasileiras de produtos americanos cresceram pelo terceiro ano consecutivo. Em 2025, as compras avançaram 11,3% e atingiram US$ 45,2 bilhões, o segundo maior valor da série histórica. O aumento foi impulsionado principalmente por motores e máquinas não elétricas, óleos combustíveis, aeronaves e medicamentos.
Com a combinação de exportações em queda e importações em alta, o Brasil encerrou 2025 com déficit comercial de US$ 7,5 bilhões no comércio com os Estados Unidos. O resultado representa um salto expressivo frente ao saldo negativo de US$ 300 milhões registrado em 2024. No ranking nacional, o déficit com os EUA foi o terceiro maior do ano, atrás apenas de Rússia e Alemanha.
2026 abre espaço para retomada
De acordo com a avaliação, o início de 2026 abre uma janela estratégica para destravar o comércio bilateral. Atualmente, produtos sujeitos a sobretaxas de 40% ou 50% representam cerca de um terço das exportações brasileiras aos Estados Unidos, o que evidencia o peso das barreiras tarifárias sobre o desempenho do comércio.
O avanço nas negociações para reduzir ou eliminar essas tarifas tende a ser decisivo para a retomada do crescimento das exportações brasileiras, sobretudo nos segmentos industriais, considerados estratégicos para o fortalecimento da relação comercial entre os dois países.
