Seguro rural enfrenta incerteza e setor reage ao veto
Entidades alertam que veto presidencial fragiliza o planejamento do Programa de Subvenção ao Seguro Rural
Seguro rural enfrenta risco de instabilidade após veto à LDO, e setor busca apoio do Congresso. Foto: Assessoria / Divulgação
O seguro rural voltou ao centro do debate político. Entidades do agronegócio e do setor segurador articulam, no Congresso Nacional, a derrubada do veto presidencial à LDO de 2026.
O dispositivo vetado protegia os recursos destinados à subvenção do prêmio do seguro rural. Com a decisão, o orçamento ficou sujeito a cortes, bloqueios e condicionamentos.
Assim, o setor avalia que a medida amplia a instabilidade em um momento de crescimento da produção e redução da proteção financeira no campo.
Cobertura segue baixa apesar da expansão agrícola
O agronegócio responde por cerca de 25% do PIB brasileiro. Ainda assim, apenas cerca de 3% da área plantada conta hoje com seguro rural.
Segundo dados do setor, o país ampliou a área cultivada para cerca de 97 milhões de hectares. No entanto, a área segurada permanece próxima de 3,2 milhões de hectares.
Por outro lado, em 2015, mesmo com menor área plantada, o volume segurado já indicava um desequilíbrio estrutural que se aprofundou ao longo dos anos.
Setor aponta perda de previsibilidade
Para representantes do mercado, o veto à LDO agrava um cenário de deterioração orçamentária observado nos últimos cinco anos. A avaliação é de que a retirada da blindagem compromete o planejamento.
Segundo o setor, a falta de previsibilidade afeta seguradoras, produtores e resseguradores. Além disso, dificulta a oferta de produtos compatíveis com a realidade financeira do campo.
O seguro rural, especialmente o agrícola, funciona como instrumento de estabilidade. Ele garante continuidade da produção diante de eventos climáticos extremos.
Comparação internacional amplia alerta
O contraste com outros países reforça o desafio brasileiro. Nos Estados Unidos, cerca de 90% da área plantada das principais culturas conta com seguro agrícola.
Nesse modelo, o governo subsidia, em média, 60% do valor do prêmio. Enquanto isso, no Brasil, a subvenção permanece em torno de R$ 1 bilhão ao ano.
Estimativas do setor indicam que seriam necessários ao menos R$ 4 bilhões anuais para atender a demanda nacional de forma adequada.
Queda nos indicadores preocupa o setor
Entre janeiro e outubro de 2025, o seguro rural registrou queda de 9,3% na arrecadação. As indenizações também recuaram 3,9% no período.
Os dados indicam enfraquecimento do produto e impacto direto sobre a renda dos produtores. Além disso, o crédito rural encolheu, com retração entre 20% e 30% nos financiamentos.
O aumento do custo do dinheiro também pressiona as margens e dificulta a contratação do seguro.
Congresso vira peça-chave para 2026
Diante desse cenário, entidades do agro avaliam que a derrubada do veto à LDO é estratégica. O objetivo é recuperar previsibilidade para o Programa de Subvenção ao Seguro Rural.
Por fim, o setor alerta que a ausência de uma política robusta cria um ciclo de endividamento e dependência de medidas emergenciais. A agenda de 2026, portanto, passa pela recomposição do seguro rural no Congresso.
