IPCA fecha 2025 em 4,26% e reforça atenção aos custos de produção no agro
Alta da inflação foi puxada por transportes, habitação e serviços, enquanto alimentos desaceleraram no ano
Transportes e habitação pressionam custos, enquanto alimentos desaceleram. Foto: Canva
A inflação voltou a acelerar em dezembro e encerrou 2025 acima do centro da meta, refletindo pressões em custos que impactam diretamente a economia e o agronegócio. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,33% no último mês do ano e acumulou avanço de 4,26% no período, puxado principalmente por aumentos nos transportes, na energia elétrica e em serviços essenciais.
Ao longo do ano, a inflação mostrou comportamento desigual entre os grupos. Enquanto alguns itens ligados à produção rural apresentaram alívio, outros seguiram pressionando o orçamento de produtores, cooperativas e agroindústrias.
Transportes e energia seguem pressionando custos
O grupo Transportes apresentou a maior influência no índice de dezembro. A alta foi puxada, principalmente, pelo aumento do transporte por aplicativo, das passagens aéreas e dos combustíveis. O etanol, insumo estratégico para o setor sucroenergético, registrou avanço no mês, enquanto a gasolina também apresentou elevação.
Já o grupo Habitação foi o único a registrar queda em dezembro. Ainda assim, no acumulado do ano, concentrou o maior impacto sobre a inflação, impulsionado pelos reajustes da energia elétrica residencial. As mudanças nas bandeiras tarifárias ao longo de 2025 elevaram os custos, afetando diretamente propriedades rurais, armazenagem, irrigação e agroindústrias.
Alimentos desaceleram e aliviam pressão inflacionária
Em contraste, o grupo Alimentação e bebidas apresentou desaceleração significativa em 2025. A alimentação no domicílio registrou alta moderada no ano, após meses consecutivos de queda, com destaque para reduções nos preços de itens como arroz e leite longa vida.
Por outro lado, alguns produtos seguiram em alta, como o café, o chocolate e o pão francês. A alimentação fora do domicílio também avançou, refletindo o aumento dos custos de serviços, mão de obra e insumos.
Cenário econômico exige planejamento no campo
O comportamento do IPCA em 2025 reforça a importância do planejamento financeiro no agronegócio. Embora a inflação dos alimentos tenha perdido força, os custos estruturais, como energia, transporte e serviços, continuam sendo fatores determinantes para a rentabilidade no campo.
Para produtores rurais e agentes da cadeia agroindustrial, acompanhar os indicadores econômicos segue essencial para orientar decisões de investimento, comercialização e gestão de custos em um cenário ainda marcado por volatilidade.
