Acordo Mercosul–UE pode ampliar mercado do agro paranaense
Com isenção tarifária e cotas preferenciais, produtos do Paraná ganham competitividade e acesso a 451 milhões de consumidores europeus
Produção agropecuária do Paraná pode ganhar espaço no mercado europeu com a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia. Foto: Sistema FAEP / Divulgação
Com uma base produtiva diversificada e altamente competitiva, a agropecuária do Paraná surge como uma das principais beneficiadas pelo acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP, a redução de tarifas e a criação de cotas preferenciais tendem a fortalecer a presença internacional dos produtos paranaenses.
Atualmente, o Estado já mantém uma relação comercial relevante com o bloco europeu. Em 2025, apenas em produtos agropecuários, o Paraná exportou 4,2 milhões de toneladas para a União Europeia, gerando mais de US$ 2 bilhões em receita, conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Entre os principais itens estão o complexo soja, milho e derivados, carnes de aves, suínos e bovinos, café, frutas, hortaliças e produtos agroindustriais, incluindo alimentos de maior valor agregado.
Na avaliação do Sistema FAEP, o acordo cria condições para ampliar esse volume nos próximos anos. A abertura comercial favorece, sobretudo, setores com forte presença no Estado, como grãos, carnes, produtos florestais, café, açúcar e etanol, reduzindo custos e aumentando a competitividade frente a outros grandes exportadores globais.
Além disso, o acesso ao mercado europeu representa uma oportunidade estratégica de diversificação. Hoje, parte significativa das exportações paranaenses está concentrada na Ásia, especialmente na China. Com o acordo, o Paraná passa a contar com um mercado adicional de alto poder de compra, o que contribui para reduzir riscos comerciais no longo prazo.
Por outro lado, o Sistema FAEP alerta que os ganhos não serão automáticos. O cumprimento das exigências fitossanitárias e ambientais da União Europeia exige avanços em rastreabilidade, certificação e comprovação de práticas sustentáveis. Embora essas demandas possam elevar custos no curto prazo, a adequação tende a agregar valor aos produtos e reforçar a imagem do agro paranaense no mercado internacional.
Nesse contexto, a entidade destaca a importância de políticas públicas que apoiem os produtores no processo de adaptação. Investimentos em crédito rural, seguro agrícola e infraestrutura logística serão decisivos para transformar o acordo comercial em ganhos efetivos para o setor agropecuário do Paraná.
