A prevenção aos incêndios florestais e rurais ganha papel central na pauta de sustentabilidade do agronegócio mato-grossense com o lançamento da nova fase da campanha educativa da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT). Direcionada aos agricultores e à sociedade, a iniciativa busca alertar sobre os severos danos provocados pelas queimadas, ressaltando os impactos diretos na qualidade física, química e biológica do solo durante a estiagem.
De acordo com o vice-presidente e coordenador de Sustentabilidade da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, a proteção contra o fogo é estratégica não apenas do ponto de vista ambiental, mas para a própria sobrevivência econômica da atividade agrícola.
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"A campanha é um alerta para que o produtor se prepare antes do período crítico. O fogo é uma catástrofe econômica e ambiental para a agricultura de Mato Grosso. Ele destrói as máquinas, coloca em risco as famílias que moram nas propriedades e atinge em cheio o maior investimento do produtor, que é o solo", ressalta Bier. O executivo lembra ainda que o agricultor é o primeiro a atuar como brigadista na zona rural, mobilizando caminhões-pipa e equipes para combater focos de incêndio em lavouras vizinhas e áreas de preservação.
O prejuízo invisível de até 10 anos no solo
Os estragos causados pelo fogo vão além das chamas visíveis. As altas temperaturas eliminam a camada de palhada acumulada pelo sistema de plantio direto, queimando a matéria orgânica e reduzindo drasticamente a capacidade do solo de reter água e absorver nutrientes essenciais.
Especialista em segurança no campo e coronel da reserva do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), Aluísio Metelo Junior explica que a perda da capacidade produtiva do solo gera um impacto econômico prolongado.
"Quando o fogo passa pela palhada, temos um prejuízo invisível. O solo leva cerca de cinco anos para ser devidamente corrigido após uma queimada, período em que a produtividade por hectare despenca. Até que essa área volte a atingir os patamares normais de rendimento, o produtor acumula até 10 anos de prejuízos econômicos consequentes de um único evento de incêndio", adverte o coronel.
Preservação e prevenção no campo
O coronel Aluísio destaca também a responsabilidade do produtor rural na conservação do bioma em Mato Grosso. Do total do território estadual, 62% é mantido com vegetação nativa preservada — e 42% dessas áreas estão situadas dentro das reservas legais e APPs das propriedades rurais privadas.
"O maior gargalo econômico e de ocorrências não está nas reservas, mas sim nas áreas de produção. O produtor é um grande parceiro na preservação, mas precisa intensificar as medidas preventivas nas suas áreas cultivadas antes que a seca se aprofunde", observa o especialista.
Para a Aprosoja MT, a prevenção eficiente deve ser construída de forma contínua por meio da capacitação dos colaboradores da fazenda, orientação de moradores rurais para o não uso de fogo em detritos residenciais, manutenção constante de aceiros e verificação de frotas e maquinários, garantindo a proteção do patrimônio e a produtividade sustentável das lavouras.
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