A governança ambiental e a competitividade da soja brasileira foram defendidas perante os principais compradores globais da oleaginosa. O presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Endrigo Dalcin, representou o setor produtivo nacional durante a Conferência Round Table on Responsible Soy (RTRS) 2026, realizada em Amsterdã, na Holanda.
O fórum reuniu tradings, indústrias de alimentos, certificadoras e organizações socioambientais para debater padrões de produção responsável, mecanismos de rastreabilidade, marcos regulatórios e agregação de valor na cadeia de suprimentos.
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Ao integrar o painel temático sobre marcos temporais em um panorama sustentável em transformação, Dalcin contestou a sobreposição de exigências impostas por legislações unilaterais e compromissos privados que criam entraves comerciais sem lastro na realidade produtiva:
"A quantidade excessiva de exigências aumenta a complexidade para os produtores e para as companhias que operam nas cadeias globais de suprimento. Mais uma data de corte é prejudicial para o setor produtivo."
Instrumentos legais e avanço do CAR digital
A CNA defendeu que os critérios internacionais de compra reconheçam formalmente o arcabouço regulatório do Brasil, estruturado a partir do Código Florestal. Dalcin enfatizou a solidez do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a evolução dos Programas de Regularização Ambiental (PRA) como pilares suficientes para atestar a conformidade socioambiental das fazendas.
O dirigente sublinhou a modernização dos processos de validação documental, citando o emprego de inteligência artificial na checagem dos dados por meio do sistema CAR 2.0. Para a entidade, os compradores estrangeiros precisam alinhar suas métricas de sustentabilidade às diretrizes oficiais já consolidadas na legislação brasileira, em vez de criarem travas burocráticas paralelas.
Biológicos e tecnologias de descarbonização
No flanco agronômico, a representação da CNA apresentou aos importadores europeus a rápida expansão de práticas sustentáveis e bioinsumos no cerrado e nos demais biomas brasileiros. Foram detalhados o avanço contínuo do controle biológico de pragas, a adubação de base verde, a agricultura de precisão e a escalada de produtividade vertical por hectare, que poupa áreas nativas.
Dalcin frisou que a lavoura nacional entrega excedentes sob rígido padrão conservacionista: "A produção brasileira precisa ser compreendida no exterior a partir do conjunto real dessas práticas operacionais. É nosso dever demonstrar ao mercado internacional que a nossa soja é uma das mais sustentáveis do planeta".
A programação da RTRS 2026 aprofundou ainda agendas voltadas ao mercado voluntário de carbono, agricultura regenerativa e a aplicação de tecnologias de ponta na rastreabilidade dos grãos desde a fazenda até o porto de destino.
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