A semana começou em tom de correção e perdas para o mercado internacional da soja na Bolsa de Chicago (CBOT). De acordo com o boletim mais recente divulgado pela Granoeste Corretora, o contrato para vencimento em setembro operava no início do dia com recuo de 8 pontos, cotado ao patamar de US$ 11,63 por bushel. O movimento de baixa é impulsionado por um cenário externo desfavorável às commodities agrícolas, marcado pela forte queda nos preços do petróleo e pela apreciação do dólar frente às demais moedas globais. A retração dá sequência ao movimento da semana anterior, na qual os primeiros vencimentos na CBOT acumularam perdas de 5,5%.
No cenário norte-americano, após uma intensa onda de calor, o retorno das chuvas com maior regularidade e temperaturas mais amenas trouxe alívio para o desenvolvimento das lavouras do Midwest. O mercado aguarda para o fim do dia o novo relatório de acompanhamento de safras do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A consultoria ressalta, contudo, que ainda restam pelo menos 45 dias decisivos até a consolidação do potencial produtivo dos EUA.
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No front da demanda, a China voltou a atuar com maior agressividade no mercado norte-americano: rumores de mercado indicam que compradores chineses negociaram cerca de 15 cargueiros de soja (aproximadamente 1 milhão de toneladas) com os EUA ao longo da última semana.
Mercado Interno: Produtor retém grão e aposta na entressafra e no El Niño
No Brasil, o cenário de comercialização segue travado e com oferta bastante restrita. Segundo a Granoeste Corretora, as poucas vendas realizadas no mercado doméstico destinam-se exclusivamente ao cumprimento de obrigações financeiras e entregas de curto prazo.
Mesmo diante do quadro baixista vindo de Chicago, os produtores brasileiros mantêm a convicção de que os preços ganharão atratividade no médio e longo prazo, amparados por três pilares estratégicos:
Janela crítica nos EUA: A safra norte-americana ainda atravessa sua fase mais sensível de desenvolvimento, o que não descarta o retorno de prêmios de risco climático na bolsa.
Riscos com El Niño: A elevada probabilidade de atraso na consolidação da estação chuvosa no Brasil Central — em virtude da atuação do El Niño — pode encurtar as janelas ideais de plantio da safra 2026/27.
Entressafra nacional: A proximidade do encerramento do ciclo de comercialização da safra velha reduz gradativamente a oferta disponível em importantes praças do interior.
Cotações e Prêmios de Exportação
No tocante aos prêmios de exportação praticados nos portos brasileiros, as indicações reportadas pela corretora mantêm-se em terreno positivo: no spot (embarque imediato), os prêmios oscilam entre 130 e 145 pontos; para entrega em setembro, variam entre 140 e 155 pontos; e, para outubro, situam-se na faixa de 145 a 160 pontos sobre a posição equivalente em Chicago.
Nas praças de comercialização do Paraná, as indicações de compra no Oeste do estado figuram entre R$ 138,00 e R$ 141,00 por saca de 60 kg. No Porto de Paranaguá, os valores variam na faixa de R$ 145,00 a R$ 148,00 por saca — oscilando conforme as condições de prazo de pagamento, local de retirada e cronograma de embarque.
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