O mercado internacional de soja iniciou a quarta-feira operando em terreno firmemente positivo na Bolsa de Chicago (CBOT). De acordo com o boletim financeiro da Granoeste Corretora, o contrato com vencimento em agosto registrou valorização de 7 pontos na sessão matinal, sendo negociado a 12,01 dólares por bushel. O movimento marca o rompimento da barreira psicológica dos 12,00 dólares na maioria das posições futuras, um patamar de preços que não era visitado pelas commodities há quase dois meses.
Esse rali acumulado supera a marca de 5% de ganho desde o retorno do feriado da Independência dos Estados Unidos. Conforme analistas da Granoeste Corretora, o principal suporte para essa disparada vem do fator climático, com uma intensa onda de calor que atinge o Meio-Oeste americano e a Europa, além de previsões de corte nos volumes de chuva nas principais áreas de cultivo nos próximos dias. O cenário de alta ganhou fôlego extra com o retorno da China às compras de soja norte-americana, com um volume estimado em 300 mil toneladas nesta semana.
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Paralelamente ao clima, os fundos de investimento promovem um ajuste técnico de posições antes da divulgação do relatório de oferta e demanda de julho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), agendado para sexta-feira. O mercado antecipa uma produção norte-americana de 121,3 milhões de toneladas, acima das 120,7 milhões projetadas em junho. Atualmente, o monitoramento do USDA aponta que 64% das lavouras americanas estão em condições boas ou excelentes, com 34% da área em estágio de floração e 9% em formação de vagens.
O cenário nacional: Entressafra e risco climático movimentam o Brasil
O reflexo das valorizações em Chicago aumentou de forma considerável a liquidez e o volume de negócios no mercado físico brasileiro. O produtor nacional depara-se com um cenário considerado favorável para a sustentação dos preços no curto e médio prazo, sustentado pelo tripé composto pelo prêmio de exportação firme, o risco climático na safra dos Estados Unidos e a consolidação do período de entressafra na América do Sul. Adicionalmente, as leituras sobre as condições do tempo alertam para a possibilidade de que o fenômeno El Niño cause atrasos no regime regular de chuvas para o Centro-Oeste no início da próxima safra.
Nos portos brasileiros, os prêmios de exportação demonstram robustez. No mercado spot (pronta entrega), as indicações operam entre 90 e 105 pontos acima de Chicago. Para os embarques programados para agosto, o intervalo sobe para 95 a 110 pontos, enquanto as posições de setembro registram os maiores patamares, avaliados entre 105 e 115 pontos sobre a tela de referência internacional.
Essa estrutura de prêmios e contratos futuros fixou os preços de compra no oeste do Paraná na faixa entre R$ 133,00 e R$ 136,00 por saca de 60 quilos. Nas posições de venda FOB no Porto de Paranaguá, os valores de balcão flutuam na faixa de R$ 143,00 a R$ 146,00 por saca. As oscilações internas dependem diretamente do prazo de pagamento estipulado entre as partes, do local do armazém e do período agendado para o embarque rodoviário ou ferroviário.
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