O ritmo dos trabalhos de campo ganhou forte tração ao longo de outubro nas principais regiões produtoras de grãos do país. De acordo com o mais recente relatório Radar Agro, elaborado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, a semeadura da soja para a temporada 2026/27 aproximou-se da marca de 50% da área prevista no Brasil, alcançando 45,8% na reta final do mês. O desempenho coloca o calendário nacional à frente da média observada nas últimas cinco safras e reduz a probabilidade de uma concentração excessiva de operações durante o mês de novembro.
A aceleração reflete a capacidade de resposta imediata dos produtores rurais. Conforme destaca a Consultoria Agro do Itaú BBA, as áreas que aguardavam umidade mínima no solo foram rapidamente semeadas assim que as precipitações retornaram, demonstrando a robustez do parque de máquinas e o elevado padrão tecnológico do agronegócio brasileiro.
Em MS, plantio da soja atinge 68,6% e 0,5% da área exige replantio
Soja opera a US$ 12,19 com pressão de colheita nos EUA e plantio
Ritmo acelerado no Brasil protege a safrinha, mas contraste climático se intensifica
No panorama nacional, a rapidez na semeadura tem uma implicação direta que vai além da própria oleaginosa: a preservação da janela agronômica para as culturas de segunda safra. Em estados com forte sucessão produtiva, como Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, semear a soja entre meados de setembro e outubro viabiliza a colheita a partir de janeiro, liberando os talhões a tempo de instalar o milho safrinha e o algodão antes do término do período chuvoso.
Em Mato Grosso, a comparação com outras safras sob forte influência do fenômeno El Niño — como 2015/16 e 2023/24 — revela um panorama muito mais favorável para a temporada 2026/27. Na safra atual, a área de soja equivalente à intenção de plantio de milho e algodão safrinha foi implantada dentro da janela considerada ideal, afastando o risco de um atraso generalizado nas regiões Médio-Norte, Oeste e Sudeste mato-grossenses.
No Paraná, a umidade regular vinha sustentando um plantio contínuo e bem distribuído. No entanto, mais recentemente, precipitações excessivas desaceleraram as máquinas e trouxeram o ritmo para a média histórica, gerando receio pontual de replantio em algumas áreas. Apesar disso, o Itaú BBA pondera que o impacto sobre o calendário paranaense é atenuado pela janela de plantio mais estendida no estado.
Nos demais estados, o comportamento da safra mostra heterogeneidade:
Mato Grosso do Sul e Goiás: Mostram evolução consistente, mas períodos quentes e secos entre as precipitações demandam cautela quanto à emergência das lavouras.
São Paulo e Minas Gerais: Seguem curvas alinhadas ao padrão sazonal após o retorno das chuvas no Brasil Central.
Matopiba (Bahia, Tocantins e Maranhão): As plantadeiras começaram a atuar, mas a irregularidade das chuvas no Norte impõe pausas operacionais.
Rio Grande do Sul: Encontra-se no estágio inicial de plantio, coerente com seu calendário tradicionalmente mais tardio, operando com reservas hídricas confortáveis.
Umidade do solo e previsões para novembro
Apesar da evolução favorável do calendário, a Consultoria Agro do Itaú BBA reforça que o risco climático permanece ativo. Após o alívio hídrico no início de outubro, a intensidade das chuvas recuou em partes do Centro-Oeste e as temperaturas elevadas aceleraram a evapotranspiração do solo, provocando relatos pontuais de necessidade de replantio em lavouras mato-grossenses, embora sem comprometer o potencial produtivo global até aqui.
As projeções agrometeorológicas baseadas no modelo europeu (ECMWF) apontam aumento na cobertura e no volume das chuvas até a primeira quinzena de novembro, o que deve consolidar o estabelecimento inicial e favorecer o desenvolvimento vegetativo no Centro-Oeste.
Para o trimestre de novembro a fevereiro, o padrão típico de El Niño deve se consolidar: volumes pluviométricos acima da média no Sul do país e precipitações mais espaçadas e irregulares no Centro-Norte. Ainda que esse contraste exija monitoramento constante da umidade nas fazendas, o Itaú BBA mantém como cenário-base a expectativa de uma safra de soja volumosa e positiva para o Brasil.
