O retorno do tempo mais firme e as boas condições de umidade no perfil do solo permitiram uma rápida retomada dos trabalhos de campo em Mato Grosso do Sul. De acordo com o mais recente levantamento técnico do Projeto SIGA-MS — iniciativa conduzida pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) em parceria com o Fundems e a Semadesc —, o plantio da safra de soja 2026/27 alcançou 68,6% da área acompanhada, totalizando aproximadamente 3,3 milhões de hectares semeados.
O cenário marca uma forte aceleração operacional frente ao panorama travado na segunda quinzena de outubro. Naquele momento, as precipitações frequentes e a saturação hídrica dos talhões haviam paralisado as plantadeiras em grande parte dos municípios produtores.
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“Naquele período, o plantio havia alcançado 32% da área acompanhada. As operações ficaram paralisadas durante grande parte da semana devido às condições de umidade do solo. Também foram registrados rompimentos de curvas de nível, enxurradas e início de processos erosivos, principalmente em áreas de solos arenosos e mistos”, explica o analista técnico da Aprosoja/MS, Lucas Santana.
Sul lidera trabalhos e Centro concentra área de replantio
Com a estabilização do clima, a distribuição dos trabalhos avançou com rapidez regional. A região Sul desponta na liderança da semeadura no Estado, totalizando 76,2% da sua área prevista coberta. O Centro do Estado aparece na sequência, com 60,3%, enquanto a região Norte computa 52,2% dos trabalhos concluídos.
Apesar da recuperação do cronograma, os danos causados pelos temporais de outubro deixaram marcas no solo sul-mato-grossense. O relatório do SIGA-MS identificou 22.718 hectares que demandaram nova semeadura, montante que corresponde a cerca de 0,5% de toda a área estimada para o ciclo da oleaginosa no Estado.
O Centro concentra a maior fatia dessas ocorrências, somando 13.213 hectares replantados, seguido pela porção Norte, com 9.435 hectares afetados, enquanto as demais microrregiões registraram apenas intervenções pontuais. Os técnicos apontam o encharcamento do solo, o selamento superficial e a ocorrência de erosão laminar como os fatores determinantes que asfixiaram as sementes e prejudicaram a germinação e o vigor dos estandes iniciais.
Atenção redobrada com o El Niño
O monitoramento agrometeorológico ganha contornos de prioridade estratégica para a gestão das lavouras em Mato Grosso do Sul. A influência contínua do fenômeno climático El Niño mantém um ambiente de maior probabilidade de anomalias e chuvas de grande intensidade ao longo do desenvolvimento vegetativo.
Conforme reforça a equipe técnica da Aprosoja/MS, o planejamento operacional e a conservação do solo — com manutenção preventiva das bacias de retenção e curvas de nível — serão decisivos para garantir a produtividade e proteger as áreas recém-instaladas nas próximas semanas.
