O Brasil reforçou sua presença comercial no mercado asiático com a participação na China Fisheries Seafood Expo 2026, uma das mais expressivas feiras mundiais da cadeia produtiva de pescado, realizada na última semana na cidade litorânea de Qingdao, na China. A delegação nacional esteve sediada no Pavilhão do Brasil, congregando oito indústrias processadoras e produtoras para rodadas de negócios, contatos diplomáticos e identificação de nichos de mercado junto a importadores e distribuidores internacionais.
Em sua 29ª edição, a mostra reuniu um contingente de mais de 1.600 empresas oriundas de 50 países e territórios. O evento funciona como uma das principais pontes globais de comércio e fornecimento de pescados e frutos do mar, aproximando frigoríficos, armadores, cooperativas aquícolas e operadores logísticos de grandes redes compradoras mundiais.
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A participação brasileira foi articulada no âmbito do projeto setorial Brazil Natural Seafood, desenvolvido pela Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) em parceria técnica e financeira com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Marcando a terceira presença oficial da marca no evento asiático, a iniciativa serviu como vitrine da diversidade de espécies cultivadas e capturadas no litoral e nas bacias fluviais brasileiras.
O papel geoestratégico de Pequim e o comércio de proteína
A China ocupa uma posição-chave na dinâmica de abastecimento do setor pesqueiro mundial, combinando um mercado doméstico com crescente apetite por proteínas de alto padrão a uma robusta infraestrutura industrial de transformação, processamento e redistribuição regional. Estar presente em Qingdao permitiu às empresas nacionais mapear os canais de distribuição locais, as tendências de consumo urbano e as exigências sanitárias específicas do gigante asiático, fundamentais para acelerar o processo de habilitação de novas plantas frigoríficas.
A delegação brasileira contou com o respaldo institucional do governo federal. Representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por intermédio da Adidância Agrícola do Brasil em Pequim, e do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) acompanharam a agenda oficial no recinto de exposições, alinhando tratativas zoossanitárias com autoridades chinesas e garantindo suporte à representação privada.
A iniciativa compõe a política externa do agronegócio voltada à diversificação da pauta de exportações de carnes. Com o auxílio da rede de adidos agrícolas nos principais centros econômicos globais, o setor produtivo visa desatar gargalos tarifários, consolidar a imagem de sustentabilidade e rastreabilidade da aquicultura nacional e fincar raízes sólidas nas gôndolas e cozinhas industriais do continente asiático.
