Os contratos futuros da soja operam em alta na Bolsa de Chicago (CBOT) na manhã desta quarta-feira. De acordo com boletim da Granoeste Corretora, a posição com vencimento em setembro registra valorização de 10 pontos, cotada a US$ 12,11 por bushel, consolidando os preços acima do patamar de US$ 12,00 após a sessão anterior fechar praticamente estável.
O suporte do mercado internacional decorre da combinação entre a demanda aquecida — impulsionada pelas compras ativas da China nos Estados Unidos — e a deterioração agronômica das lavouras norte-americanas. O relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica que apenas 61% das áreas estão em condições boas ou excelentes, operando no limite de 60%, considerado a margem para uma produção dentro da normalidade. As lavouras encontram-se em fase reprodutiva decisiva: 96% completaram a floração e 85% estão em enchimento de vagens.
Soja dispara em Chicago com compras da China e perdas nos EUA
Soja abre a semana em alta em Chicago com demanda firme e cautela nos EUA
Em campo, as medições do Crop Tour da Pro Farmer pelo Meio-Oeste apontam qualidade inferior em comparação aos últimos ciclos. A contagem de vagens na amostragem padrão (3 por 3 pés) tem ficado abaixo do volume registrado no ano passado e inferior à média histórica de três anos.
Mercado brasileiro: agricultor eleva pedidas, segura estoques e trava negócios
No cenário doméstico, o fluxo de comercialização segue lento diante do descompasso entre compradores e vendedores. Conforme aponta a Granoeste Corretora, mesmo com bons volumes estocados nos armazéns, os produtores mantêm postura firme e continuam elevando suas pedidas. Embora indústrias e tradings tenham reajustado suas ofertas de compra, a diferença entre as pontas ainda é ampla, o que mantém a liquidez travada.
A resistência dos sojicultores brasileiros é respaldada por fundamentos estratégicos, como a safra norte-americana ainda sujeita a perdas no campo, o risco de atraso no regime de chuvas para o plantio da safra nova no Brasil Central, a chegada da entressafra e as indefinições políticas ligadas às eleições no país.
No front exportador, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) projeta que os embarques brasileiros de soja ultrapassem 10,0 milhões de toneladas em agosto, superando as 9,35 milhões de toneladas registradas no mesmo mês de 2025.
Nos portos, os prêmios de exportação mantêm patamares firmes:
Spot: indicações entre +150 e +160 cents/bushel;
Outubro: operando entre +150 e +165 cents/bushel;
Novembro: cotado entre +150 e +165 cents/bushel.
No mercado físico regional, as ordens de compra no Oeste do Paraná situam-se na faixa de R$ 143,00 a R$ 146,00 por saca, enquanto no porto de Paranaguá as indicações sobem para R$ 155,00 a R$ 157,00 por saca, variando conforme os prazos de pagamento, localidade do lote e período de embarque.
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