A elevação da ocorrência de nematoides nas principais regiões produtoras de grãos do Cerrado tem colocado o manejo de solo no topo das prioridades para a próxima safra de soja. Em estados estratégicos como Mato Grosso e Goiás, a intensificação das janelas de plantio e a sucessão contínua de culturas favoreceram o aumento populacional desses vermes microscópicos, levando os agricultores a adotarem estratégias preventivas para evitar perdas irreversíveis de teto produtivo.
Pesquisas de campo indicam que os produtores mato-grossenses e goianos lideram o ranking de adoção de variedades geneticamente resistentes aos parasitas, acompanhado por uma expansão aproximada de 50% na área que recebe aplicação de soluções nematicidas nos últimos anos.
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O movimento reflete uma mudança de postura do setor. Se antes a intervenção ocorria apenas quando as reboleiras amareladas e a perda de stand ficavam evidentes no campo, hoje consolida-se a visão de que o diagnóstico e a proteção precisam ser estruturados antes do plantio da semente.
O impacto econômico e biológico do parasita
Os números do impacto financeiro reforçam o tamanho do gargalo no campo. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN), os prejuízos provocados por nematoides somam cerca de R$ 35 bilhões ao ano na agricultura do País, sendo a cultura da soja responsável por absorver mais de R$ 16,2 bilhões desse prejuízo.
Ao atacarem o sistema radicular da planta, os nematoides diminuem a capacidade de absorção de água e adubação, o que resulta no amarelecimento foliar e no atrofiamento das plantas, além do surgimento de falhas operacionais e reboleiras nas lavouras. Esse quadro provoca uma queda drástica de produtividade por hectare e serve como porta de entrada para patógenos de solo, como os fungos do gênero Fusarium.
Quando o produtor percebe sintomas visíveis de estresse hídrico em áreas com boa disponibilidade de água no solo, a infestação radicular geralmente já se encontra em estágio avançado, tornando o manejo curativo substancialmente mais caro e complexo.
A importância do manejo integrado e do tratamento de sementes
Especialistas em fitossanidade são categóricos ao afirmar que não existe uma "solução única" para erradicar o problema do solo. A estratégia mais consistente baseia-se no Manejo Integrado de Nematoides (MIN), que combina amostragem nematológica para identificação das espécies presentes, uso de plantas de cobertura não hospedeiras (como crotalárias), rotação de culturas e a proteção inicial das sementes.
O tratamento de sementes ganha destaque dentro do planejamento por atuar na fase mais vulnerável do desenvolvimento da planta. A aplicação de soluções com ação fungicida e nematicida integradas protege o sistema radicular em formação contra os ataques iniciais, garantindo o arranjo de plantas e o enraizamento profundo logo no estabelecimento da lavoura.
Com o início do planejamento para a safra de verão, a antecipação das análises de solo e a escolha correta dos insumos biológicos e químicos para o tratamento de sementes serão fundamentais para assegurar a rentabilidade e proteger os investimentos na sojicultura do Cerrado.
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