Os principais itens da cesta de hortifrúti registraram recuo expressivo nas Centrais de Abastecimento (Ceasas) de todo o país durante o mês de agosto. Conforme os dados consolidados no 9º Boletim Hortigranjeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a batata liderou o movimento de alívio nos preços ao registrar retração em todas as unidades atacadistas monitoradas, encerrando o período com queda de 11,6% na média ponderada e cotação equivalente a R$ 2,63 por quilo.
A desvalorização do tubérculo nos últimos dois meses decorre da recomposição da oferta após o ciclo de altas verificado desde o início do ano, com as quedas mais severas observadas em Rio Branco (-46,35%), São José (-25,66%), Curitiba (-22,83%) e Rio de Janeiro (-20,33%).
Maior oferta de batata pressiona cotações nos atacados
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O comportamento de baixa também dominou o mercado de outras hortaliças essenciais:
A cebola ficou mais barata em nove das dez centrais avaliadas, acumulando decréscimo de 13,8%, sustentada pelo ritmo estável de descarregamento das safras de São Paulo e Minas Gerais, que concentraram metade do volume comercializado;
A alface registrou recuo de 14,8% na média ponderada, com a safra de inverno assegurando abastecimento equilibrado nas capitais, destacando-se a baixa de 31,22% no mercado fluminense;
A cenoura manteve estabilidade geral ao oscilar discretos 0,88% para cima, embora tenha registrado alívio nos atacados do Sul e Sudeste;
O tomate destoou do quadro deflacionário e despontou como a principal exceção de alta, subindo 18,13% na média diante da desaceleração da safra de inverno e de oscilações climáticas que atrasaram a maturação nos pomares.
Frutas em expansão e exportações que superam US$ 1 bilhão
No segmento de frutas, a comercialização global nas Ceasas avançou 4,5% entre julho e agosto. O mamão anotou desvalorização de 10,9%, barateando em 70% dos entrepostos sob a pressão positiva da oferta das variedades formosa e papaya enviadas pelo sul da Bahia e norte do Espírito Santo, com destaque para a queda de 43,74% em Vitória. A melancia cedeu 3,24% na média ponderada, beneficiada pela alta produtividade das lavouras de Goiás e Tocantins, ao passo que a laranja recuou 0,95% com o aumento da disponibilidade física originada no cinturão citrícola.
Em movimento inverso de recuperação, a maçã valorizou 2,72% com o esvaziamento gradual dos estoques em câmaras frias no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Já a banana encerrou agosto com ganho médio de 4,32%, sustentada por oscilações pontuais de entrega e seleção de padrão de qualidade, apesar de recuar em mercados como Rio Branco e Fortaleza.
Nas fronteiras internacionais, os embarques hortifrutícolas brasileiros registraram desempenho histórico. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados pela Conab revelam que, de janeiro a agosto de 2026, as exportações do setor somaram 789 mil toneladas (avanço de 10,6%) e atingiram receita de US$ 1,01 bilhão, superando em 20% o faturamento de igual intervalo do ano passado. O salto das divisas foi alavancado por aumentos substanciais nos envios externos de maçãs (+254%), abacates (+102,5%) e no conjunto de mamões, melancias e pêssegos (+83,3%).
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