A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) apresentou formalmente aos candidatos à Presidência da República a “Carta Aberta aos Presidenciáveis – A visão do setor da cotonicultura brasileira para os próximos 4 anos”. A iniciativa visa a posicionar a cadeia produtiva da pluma no centro do debate macroeconômico para o ciclo governamental de 2027 a 2030, defendendo que a sustentação da liderança brasileira no mercado global de fibras requer planejamento estatal continuado e estabilidade institucional.
A representatividade do pleito é respaldada por números absolutos do agronegócio nacional. A entidade congrega 11 associações estaduais e responde por 99% da área semeada, 99% da produção brasileira de algodão e 100% de todas as exportações da pluma. Os pilares do documento também nortearão os debates do 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), programado para ocorrer entre os dias 24 e 26 de setembro, em Belo Horizonte (MG).
Abrapa propõe projeto para valorizar fibras naturais
Negociações de algodão em pluma perdem ritmo no mercado
O presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, adverte que o protagonismo comercial conquistado pelo Brasil frente aos concorrentes internacionais impõe desafios que vão além da porteira:
"O Brasil conquistou uma posição de protagonismo no algodão mundial, mas liderança não é permanente. Precisamos olhar para os próximos quatro anos e construir um ambiente que dê ao produtor segurança para investir, produzir e competir. Esta Agenda é uma contribuição da cotonicultura para esse debate e, principalmente, para o futuro do país."
O diretor-executivo da entidade, Marcio Portocarrero, corrobora a tese ao pontuar que infraestrutura, marco regulatório previsível, instrumentos modernos de política agrícola e expansão comercial compõem uma engrenagem única que dita a capacidade de sobrevivência das lavouras no cenário global.
Os oito eixos estruturantes e a defesa das fibras naturais
A plataforma entregue aos postulantes ao Palácio do Planalto estrutura-se em oito frentes consideradas decisivas:
A dependência de adubos importados desponta como vulnerabilidade central, exigindo políticas industriais que atenuem riscos cambiais e rupturas geopolíticas no abastecimento;
A consolidação e conclusão da regulamentação da Lei nº 15.070/2024, que estabeleceu o marco legal dos bioinsumos no Brasil;
O combate à insegurança jurídica e a preservação da estabilidade regulatória para atração de capitais privados de longo prazo;
A defesa de equilíbrio fiscal e neutralidade na regulamentação final da reforma tributária sobre os insumos e a comercialização da fibra;
A aceleração de acordos bilaterais e derrubada de barreiras tarifárias e fitossanitárias para diversificar clientes e diminuir a dependência de destinos concentrados na Ásia;
A eliminação de gargalos logísticos crônicos em ferrovias, malha rodoviária, hidrovias, terminais portuários, redes elétricas rurais e armazéns;
O aperfeiçoamento da política agrícola via ampliação do seguro rural, mitigação de riscos e maior penetração de títulos verdes e do mercado de capitais no financiamento da safra;
O fomento à indústria têxtil doméstica por meio de uma política nacional de valorização das fibras naturais, com estímulo a materiais de base biológica e pesquisa científica sobre os impactos ambientais de fibras sintéticas e microplásticos.
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