O preço médio do leite cru captado por laticínios e cooperativas registrou relativa estabilidade no pagamento realizado em agosto, mas os sinais de fraqueza no consumo e a concorrência externa desenham um horizonte de forte pressão negativa sobre a atividade. Conforme os dados consolidados no Boletim do Leite de outubro, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a "Média Brasil" líquida atingiu R$ 2,8869 por litro, representando ligeiro avanço de 0,7% frente a julho.
No confronto com o mesmo período do ano passado, o valor auferido pelo pecuarista mantém ganho real de 9,18% em relação a agosto de 2025, após deflacionamento pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
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Derivados recuam no atacado e ampliam pressão em outubro
Apesar da sustentação pontual observada no campo durante agosto, a ponta final da cadeia já opera em trajetória de desvalorização contínua. Levantamento conduzido pelo Cepea com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) identificou fraqueza generalizada no mercado atacadista de derivados do estado de São Paulo ao longo de setembro, comportamento que se estendeu pelas primeiras semanas de outubro.
Entre os principais produtos acompanhados no atacado paulista em setembro:
Leite UHT: recuou 4,76% frente a agosto, com média de R$ 4,69 por litro;
Queijo muçarela: caiu 2,77%, cotado a R$ 34,91 por quilo;
Leite em pó fracionado: desvalorizou-se 5,47%, atingindo R$ 29,63 por quilo.
Esse recuo nos preços praticados pelos laticínios junto às redes varejistas reduz a margem da indústria e tende a ser repassado na forma de cortes nos repasses aos produtores nas captações seguintes.
Salto de 26% nas Importações e Custos em Alta no Sul
O desequilíbrio na formação de preços é agravado pelo volume maciço de lácteos que ingressam no território nacional. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Cepea, as importações brasileiras atingiram 249,6 milhões de litros em Equivalente-Leite (EqL) em setembro, salto de 8,38% frente a agosto e expressivo avanço de 25,99% na comparação com setembro de 2025.
Em contrapartida, as exportações registraram movimento tímido, somando apenas 5,57 milhões de litros em EqL no mês — uma alta conjuntural de 6,05% ante agosto, mas com retração de 5,96% em relação ao volume exportado em setembro do ano passado.
No lado dos insumos, o bolso do pecuarista voltou a sentir a pressão da alimentação animal. O Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária de leite subiu 0,46% na "média Brasil" em setembro, puxado pela valorização dos componentes de nutrição (farelo de soja e milho).
O impacto foi severo especialmente na Região Sul:
Rio Grande do Sul: registrou avanço de 2,08% no COE mensal;
Santa Catarina: anotou elevação de 1,33% nos custos operacionais.
