As cotações do milho no mercado físico brasileiro mantêm trajetória descendente e intensificam as perdas na maioria das praças acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O principal fator de pressão continua sendo o descompasso entre a oferta disponível e a demanda de consumo, com o volume de produto no mercado nacional superando a capacidade imediata de absorção das indústrias e fábricas de ração.
Exportação de DDG de MT cresce 35% com demanda da China
Exportação de milho em MT recua mais de 30% em setembro
O movimento baixista ganhou força adicional após a divulgação das projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2026/27, que apontam para um aumento na produção brasileira de grãos. Mesmo diante de incertezas associadas ao fenômeno El Niño e aos seus possíveis impactos meteorológicos nos próximos meses, a expectativa de colheita robusta mantém o mercado desfavorável a reações nas cotações.
Conforme análise dos pesquisadores do Cepea, a semeadura da safra de verão avança em ritmo satisfatório nas principais regiões agrícolas do país, a despeito de acumulados volumosos de precipitação em áreas pontuais. Esse bom andamento reduz temores de atrasos agronômicos e eleva as chances de que a safrinha de 2027 seja implantada integralmente dentro da janela climática considerada ideal.
Compradores retraídos e gargalo de espaço nos silos
Com a perspectiva de oferta assegurada à frente, as agroindústrias e compradores do mercado doméstico operam de forma cautelosa. Os negócios no mercado spot registram liquidez reduzida, com indústrias adiando compras ou reduzindo as ordens de pagamento quando precisam fechar lotes para entrega imediata.Na ponta vendedora, cresce a necessidade de escoar a produção remanescente. Com o estoque de passagem de milho em patamares elevados e a aproximação da colheita de uma safra expressiva de soja no início de 2027, produtores e cooperativas enfrentam o risco iminente de estrangulamento físico nos armazéns. A urgência para liberar espaço nos silos faz com que boa parte dos agricultores demonstre flexibilidade e aceite contrapropostas menores dos compradores.
Apesar do cenário atual de pressão, o Cepea pondera que as variáveis climáticas permanecerão no radar do setor. Ocorrências de chuvas excessivas ou ondas de calor intenso típicas do encerramento de ano podem afetar o desenvolvimento vegetativo dos talhões e reajustar para baixo os números da produção recorde até então estimada.
