A pecuária de leite do Rio Grande do Sul voltou a sofrer duros golpes em decorrência de eventos meteorológicos adversos. De acordo com relato oficial da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), dois temporais de forte intensidade registrados em um intervalo de apenas 14 dias provocaram a morte de animais e a destruição completa de instalações operacionais em propriedades leiteiras do Estado. Os estragos concentram-se principalmente nas regiões Celeiro e Missões, além dos municípios de Selbach, Cruz Alta e arredores.
A repetição dos vendavais criou um cenário desolador no campo. Entre os casos monitorados pela entidade, famílias inteiras viram galpões, coberturas e salas de ordenha virem abaixo. Em uma das propriedades atingidas, um produtor que mantinha mais de 40 vacas em lactação tomou a decisão de abandonar a atividade leiteira após 40 anos de trabalho, ao constatar a impossibilidade financeira de reconstruir do zero toda a estrutura destruída.
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O vice-presidente administrativo da Gadolando, Nacir Penz, destaca que o curto espaço de tempo entre os dois eventos climáticos inviabilizou a recuperação do setor. "Foram dois episódios em sequência, com produtores perdendo animais e estruturas. Em um dos casos, depois de mais de 40 anos na atividade, o produtor entendeu que não seria viável reconstruir tudo e decidiu encerrar a produção", desabafa a liderança.
Entidade cobra fundo emergencial e socorro financeiro
Diante da gravidade da situação, a Gadolando defende a urgência de institucionalizar mecanismos permanentes de socorro financeiro e desburocratizado para os produtores rurais afetados por catástrofes climáticas no Estado.
O grande gargalo enfrentado pelas famílias atingidas é a manutenção dos boletos e parcelas de financiamento. "O Rio Grande do Sul tem sido o epicentro de catástrofes climáticas, e precisamos de uma política de apoio para que essas pessoas consigam continuar na atividade. O ganha-pão foi afetado, mas os compromissos permanecem", ressalta Penz.
Entre as reivindicações encaminhadas pela entidade estão:
Inclusão em renegociações de dívidas: Garantir que os produtores atingidos pelas tempestades recentes sejam contemplados nas medidas de prorrogação e repactuação de financiamentos rurais aprovadas pelo Governo Federal.
Criação de Fundo Climático Rural: Proposição em âmbito federal de um fundo específico para socorro imediato a propriedades rurais atingidas por desastres naturais, cobrindo a perda de animais, bens de capital e capacidade produtiva instalada.
A meta da Gadolando é assegurar que o produtor rural tenha fôlego e capital de giro para reconstruir seus galpões, reestruturar o rebanho e permanecer gerando renda e alimentos no campo gaúcho.
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