Segundo avaliação divulgada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), as perspectivas de uma colheita histórica no campo podem criar oportunidades expressivas para os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagros). Dados recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetam a produção brasileira de grãos em 360,8 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26, o que representa um avanço de 2,4% sobre a temporada anterior.
A expansão no volume colhido gera efeitos distintos conforme o mandato e a alocação de ativos de cada fundo, que podem atuar em certificados de recebíveis (CRA), títulos de crédito rural, imóveis rurais ou participações acionárias em agroindústrias. Por um lado, uma safra volumosa eleva a demanda por serviços de transbordo, armazenagem, frete e comercialização, favorecendo negócios logísticos e de infraestrutura. Por outro, o excesso de oferta nas praças físicas pode derrubar os preços das commodities, pressionando a rentabilidade do produtor rural e exigindo monitoramento redobrado sobre a solvência dos tomadores de crédito.
Plantio da soja avança para 75,8% e fretes de grãos sobem em MT
Plantio da soja atinge 75,8% em MT e destrava janela da safrinha
A gerente de Fundos de Investimento da Anbima, Soraia Barros, pontua que a gestão profissional desempenha papel central na navegação desse ambiente macroeconômico, pesando fatores como câmbio, custo de insumos, intempéries climáticas e garantias contratuais.
"Uma safra maior é uma informação relevante para entender o cenário do agronegócio e pode criar oportunidades em diferentes segmentos. O investidor deve observar como o fundo está posicionado para aproveitar esse momento, conhecer sua estratégia e acompanhar o trabalho realizado pela gestão", explica Soraia Barros.
Cinco critérios de análise para avaliar os Fiagros
Embora o comitê de gestão técnica selecione os papéis e administre as garantias, a Anbima destaca que o investidor precisa verificar se o perfil do veículo financeiro é compatível com sua tolerância a risco e seus objetivos de patrimônio. Cinco parâmetros orientam essa análise prática:
Estrutura dos ativos: Verificar se o patrimônio do fundo está alocado prioritariamente em crédito agropecuário, terra nua com contratos de arrendamento ou participações societárias diretas, identificando a fonte geradora de caixa e os riscos setoriais atrelados.
Qualidade dos devedores e garantias: Em carteiras de crédito, acompanhar a concentração dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) por emissor e o lastro das operações. Em fundos imobiliários rurais, checar o perfil dos arrendatários e a localização das fazendas; em fundos de participações, acompanhar a saúde financeira das empresas investidas.
Grau de diversificação: Avaliar se a carteira apresenta pulverização entre culturas (como soja, milho, cana e café), regiões agrícolas e elos da cadeia produtiva, evitando exposição excessiva a quebras de safra locais ou problemas específicos de uma única companhia.
Constância das distribuições de dividendos: Analisar o histórico de rendimentos para checar a consistência e a sustentabilidade dos pagamentos no tempo, diferenciando resultados operacionais recorrentes de ganhos extraordinários pontuais decorrentes de multas ou liquidações antecipadas.
Transparência e acompanhamento setorial: Monitorar mensalmente os relatórios gerenciais e lâminas fornecidos pelos gestores, cruzando as informações operacionais com o noticiário das safras para verificar se o posicionamento do fundo segue alinhado às oscilações de oferta e preços no agronegócio.
