Os contratos futuros do milho operam com ligeira valorização na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) na manhã desta terça-feira, cotados a US$ 4,68 por bushel no vencimento dezembro, segundo boletim de mercado divulgado pela Granoeste Corretora. O movimento busca recompor as perdas da sessão anterior, quando o cereal encerrou em baixa entre 5 e 7 pontos pressionado pelo ingresso da oferta norte-americana.
De acordo com a corretora, a sustentação das cotações no exterior decorre do alívio técnico proporcionado pela forte alta do barril de petróleo nos mercados globais, contrabalançando a pressão física da safra norte-americana. Nos Estados Unidos, a colheita alcançou 44% da área prevista, exibindo um avanço semanal de 11 pontos percentuais, mas ainda atrás da média histórica para o período, fixada em 52%. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) manteve 56% das lavouras remanescentes em condições boas ou excelentes.
Milho opera em leve queda na CBOT com colheita acelerada
Queda nos preços do milho se intensifica com oferta alta
Na frente comercial externa, os embarques acumulados dos EUA desde 1º de setembro atingem 9,13 milhões de toneladas, patamar ligeiramente inferior aos 9,34 milhões de toneladas registrados em igual período do ciclo passado.
Mercado brasileiro trava negócios entre câmbio baixo e alerta sanitário
No ambiente doméstico, os preços futuros negociados na B3 operam em estabilidade: o contrato de novembro trabalha a R$ 65,90 por saca (ante R$ 65,91 no fechamento anterior) e o vencimento janeiro de 2027 marca R$ 69,85 por saca (contra R$ 69,96 da véspera).
A Granoeste Corretora ressalta que o mercado físico nacional segue em ritmo de extrema cautela e com liquidez reduzida. Após os recentes recuos nas cotações de balcão, os compradores reportam aumento no volume de ofertas, mas o fechamento de lotes é limitado pelo descompasso acentuado entre os valores ofertados pela indústria e as pedidas dos produtores.
A pressão sobre a formação de preços no interior decorre da combinação de quedas anteriores em Chicago com o recuo da taxa de câmbio, com o dólar comercial operando em baixa a R$ 5,02 (frente aos R$ 5,047 do fechamento prévio). Esse movimento deteriora a paridade de exportação nos portos e reduz o teto de compra das tradings.
Soma-se ao cenário econômico o desdobramento sanitário da confirmação de um caso da doença de Newcastle em granja comercial de perus em Santa Catarina, que motivou a suspensão cautelar temporária de exportações de carne de aves para mercados como China e México — evento que acende o sinal de alerta sobre a demanda futura por ração e consumo de milho pelo segmento avícola.
No balcão físico paranaense, as indicações de compra no oeste do Paraná oscilam na faixa de R$ 57,00 a R$ 59,00 por saca. Para entrega no porto de Paranaguá, as referências operam entre R$ 63,00 e R$ 66,00 por saca, com variações vinculadas aos prazos de liquidação financeira e à localização geográfica do armazém de origem.
