A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas em Goiás deve alcançar 33,9 milhões de toneladas na safra 2026, resultado 13,1% inferior ao registrado na safra anterior. Apesar da estabilidade da área plantada, que recuou apenas 0,2%, a produção foi impactada diretamente pela redução do rendimento médio das principais culturas. O Estado permanece como o quarto maior produtor nacional de grãos, com participação de 9,6% na produção brasileira, segundo dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de julho, divulgado pelo IBGE.
O principal impacto sobre o resultado estadual veio do milho 2ª safra. A produção da cultura foi estimada em 10,0 milhões de toneladas, volume 31,2% inferior ao observado em 2025 — o que corresponde a uma redução de aproximadamente 4,5 milhões de toneladas. A área plantada recuou 8,6%, enquanto o rendimento médio apresentou queda expressiva de 24,7%, passando de 6.572 para 4.948 quilos por hectare.
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A soja, principal cultura agrícola em área plantada no estado, deverá totalizar 19,7 milhões de toneladas, registrando redução de 2,8% frente à safra anterior. Embora a área destinada à oleaginosa tenha crescido 0,9%, o rendimento médio recuou 3,6%, contribuindo para a diminuição do volume consolidado.
Goiás supera Minas Gerais e assume a 2ª maior área de cana do país
Em contrapartida ao recuo dos grãos, a produção de cana-de-açúcar foi estimada em 96,1 milhões de toneladas na safra 2026, um crescimento expressivo de 14,2% em relação ao ciclo anterior. O resultado representa um acréscimo de 11,9 milhões de toneladas e foi sustentado principalmente pela expansão de 17,7% na área plantada, que saltou de 1,03 milhão para 1,21 milhão de hectares, enquanto o rendimento médio permaneceu praticamente estável (-0,5%).
Com esse avanço estrutural, Goiás ultrapassou Minas Gerais na área plantada de cana-de-açúcar, passando a ocupar a segunda posição nacional no quesito, atrás apenas de São Paulo. Em 2025, o estado mineiro possuía 1,17 milhão de hectares contra 1,03 milhão de Goiás. Em 2026, a área goiana de 1,21 milhão de hectares superou os 1,19 milhão de hectares de MG.
No volume colhido, Goiás já figurava na segunda colocação e ampliou sua vantagem competitiva: enquanto a produção goiana atingiu 96,1 milhões de toneladas, a de Minas Gerais fechou em 85,9 milhões de toneladas. O estado consolida-se entre os gigantes do setor sucroenergético, respondendo por cerca de 13,4% de toda a cana-de-açúcar produzida no Brasil.
Sorgo e girassol ampliam área, mas sofrem com clima na produtividade
As lavouras de sorgo e girassol também apresentaram expansão de área cultivada no território goiano em 2026. No sorgo, a área plantada avançou 26,6%, passando de 516,5 mil para 653,9 mil hectares. O girassol registrou crescimento de 8,9%, totalizando 53,6 mil hectares.
Contudo, o ganho em área não se traduziu em maior colheita devido à forte perda de produtividade por fatores climáticos:
Sorgo: produção estimada em 1,76 milhão de toneladas (-3,6%), após a produtividade média despencar 23,9% (de 3.536 para 2.691 kg/ha).
Girassol: produção recuou 2,3%, passando de 82,5 mil para 80,6 mil toneladas, reflexo da queda de 10,2% no rendimento médio (de 1.674 para 1.503 kg/ha).
Goiás consolida 4ª posição no ranking nacional de grãos
Mesmo diante do recuo de 13,1% no volume total colhido, Goiás preserva sua posição de destaque no agronegócio nacional. Com uma colheita estimada em 33,9 milhões de toneladas, o estado ocupa a quarta colocação entre as Unidades da Federação, superando Mato Grosso do Sul.
O ranking nacional é liderado por Mato Grosso, que responde por 32,1% da produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas, seguido por Paraná, com 13,3%, Rio Grande do Sul, com 10,5%, e Goiás, que consolida sua importância estratégica no país ao assegurar 9,6% de participação da safra global de grãos.
A relevância do estado na produção de alimentos e matérias-primas permanece alicerçada na soja e no milho, que concentram o maior peso da área agricultável e sustentam o protagonismo goiano no abastecimento doméstico e no comércio internacional.
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