As exportações brasileiras de suco de laranja mostraram recuperação no ritmo de embarques em setembro, revertendo a lentidão registrada no mês anterior. Conforme levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) analisado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o volume exportado no acumulado de julho a setembro — primeiro trimestre da safra 2026/27 — registrou um avanço de 12,4% em comparação com igual intervalo da temporada 2025/26.
Apesar da reação no fluxo físico de saída dos portos, o retorno financeiro seguiu trajetória oposta: a receita cambial despencou 30% no mesmo comparativo, reflexo da desvalorização das cotações médias da commodity no comércio exterior.
Avanço do greening no Paraná mobiliza citricultores
Pequi tem produção ampliada em 17,1% em Goiás
A equipe técnica do Cepea pondera, no entanto, que o aumento percentual recente deve ser visto com cautela diante do histórico setorial. Mesmo com o crescimento frente ao ciclo passado, o volume total embarcado entre julho e setembro ainda se posiciona abaixo do que foi movimentado em períodos correspondentes das safras 2021/22, 2022/23 e 2023/24, indicando que a recuperação dos fluxos ainda ocorre de maneira gradual.
Mercado europeu e preços ao produtor no radar
A consolidação desse fôlego dependerá do comportamento das encomendas nos principais destinos de exportação nos próximos meses, sobretudo na União Europeia e nas praças que retomaram compras em setembro.
O centro de pesquisas adverte que a trajetória dos preços internacionais permanece como o principal gargalo da cadeia. Enquanto as referências globais do suco seguirem deprimidas, a transmissão de valor para os citricultores brasileiros no mercado doméstico continuará contida, exigindo confirmações mais robustas de consumo e sustentação da demanda na ponta final do varejo global.
