A safra de inverno no Rio Grande do Sul caminha para a fase decisiva de campo, com a cultura da canola migrando rapidamente do enchimento de grãos para a maturação fisiológica e colheita. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar, a recente combinação de períodos com maior incidência de radiação solar e temperaturas de amenas a elevadas favoreceu o processo fenológico, acelerando a perda de umidade natural das plantas nas principais regiões produtoras. No total, os agricultores gaúchos semearam 353.397 hectares com a oleaginosa nesta temporada, projetando uma produtividade média estadual de 1.619 kg/ha (cerca de 27 sacas por hectare).
Apesar do impulso trazido pelo tempo mais firme na última semana, o desempenho das lavouras revela disparidades regionais marcadas pelo clima extremo. Em faixas do Noroeste e do Centro-Oeste, a formação das estruturas reprodutivas foi prejudicada por doenças e instabilidades anteriores, resultando em menor número de síliquas por planta. O quadro foi agravado pela passagem recente de tempestades com rajadas de vento e granizo, que provocaram perdas diretas por debulha dos grãos em áreas prestes a serem colhidas.
Lavouras de inverno entram em reta final no RS
Cultivo da carinata ganha espaço no inverno gaúcho
Nos polos tradicionais de cultivo, os trabalhos avançam com ritmos distintos:
Santa Rosa: 40% das lavouras encontram-se maduras e 9% foram colhidas, restando 49% em enchimento de grãos e 2% em floradas finais. A produtividade média está estimada em 1.700 kg/ha. A dessecação química vem sendo ampliada para padronizar o ponto de corte, enquanto agrônomos quantificam perdas localizadas por granizo;
Frederico Westphalen: Os trabalhos de campo já alcançaram 15% da área colhida, com 55% das lavouras em maturação e 30% em enchimento. O rendimento médio regional está projetado em 1.500 kg/ha.
Panorama das demais culturas de inverno no estado
O relatório da Emater/RS-Ascar detalha ainda a situação dos outros cereais e oleaginosas que compõem a safra de inverno gaúcha:
Trigo: A colheita atinge apenas 1% dos 814.220 hectares estimados, com 57% das áreas em enchimento de grãos, 21% em maturação e 19% em floração. A produtividade média esperada é de 2.701 kg/ha, mas os reflexos de geadas ocorridas em setembro, somados a granizo e vendavais no Noroeste, continuam limitando o potencial das espigas;
Aveia-branca: Com 387.697 hectares cultivados e colheita em 7%, a produtividade média está projetada em 2.322 kg/ha. Apesar do padrão geral satisfatório, lavouras pontuais registram perdas por ferrugem da folha e tempestades;
Carinata: A oleaginosa alternativa de inverno cobre 2.365 hectares no Estado e acelera a maturação. Em Frederico Westphalen, onde 5% da área foi colhida e 50% está madura, o rendimento médio é estimado em 1.100 kg/ha;
Cevada: Com 20.320 hectares concentrados no Nordeste gaúcho, a cultura escapou dos ventos fortes e do granizo, apresentando 6% em maturação e produtividade média de 3.020 kg/ha, embora o potencial cervejeiro esteja abaixo da expectativa inicial.
