Conflito no Oriente Médio pressiona custos da citricultura

Diesel sobe 15,4% até meados de março, fertilizantes nitrogenados avançam e citricultores já veem risco de aperto nas margens da próxima safra
Conflito no Oriente Médio pressiona custos da citricultura
Alta do diesel e dos fertilizantes em março acende alerta na citricultura, com impacto direto sobre os custos da próxima safra de laranja.
Foto do autor Francieli Galo
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Os conflitos no Oriente Médio já começam a refletir no campo e colocam os citricultores em alerta para a próxima safra de laranja. Em março, a principal pressão sobre os custos de produção vem sendo observada nos derivados de petróleo, especialmente em itens como adubos nitrogenados e óleo diesel, que ganharam força com o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã.

Segundo pesquisadores do Cepea, o avanço do conflito afeta a produção de petróleo e seus derivados, além de limitar o transporte global e encarecer o frete marítimo. Na prática, isso amplia a preocupação dos produtores com uma possível escalada dos custos justamente em um momento em que as margens da citricultura já tendem a ficar mais apertadas.

Diesel dispara e encarece operações no campo

Entre os principais pontos de atenção está o óleo diesel, um dos insumos mais sensíveis para o custo operacional da citricultura. Dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) indicam que o combustível acumula alta de 15,4% até meados de março, movimento que já impacta diretamente o bolso do produtor.

Como a principal operação atual nas lavouras é a pulverização, essa valorização do diesel tem peso relevante nas contas. De acordo com o Cepea, somente essa atividade pode registrar um aumento de cerca de 5,8% nos custos da safra, sem considerar outros reflexos indiretos sobre transporte, logística e frete.

Para o produtor, isso significa que o encarecimento do combustível vai além da rotina no campo: ele pressiona desde o uso de máquinas até o deslocamento de insumos e o escoamento da produção, tornando a operação mais cara em toda a cadeia.

Fertilizantes nitrogenados também entram na conta

Além do diesel, os fertilizantes também preocupam. O Cepea aponta que os produtos à base de fósforo, amplamente utilizados nas adubações de base, também registraram valorização em março, enquanto os fertilizantes à base de potássio seguem relativamente estáveis.

Mas o maior sinal de alerta está nos adubos nitrogenados, que já aparecem nas listas de preços com elevações significativas, especialmente no caso da ureia. Mesmo que este não seja o período mais intenso de compra ou de aplicação desses produtos via solo, o avanço recente dos preços aumenta a apreensão do setor, já que o planejamento da próxima safra pode ficar mais caro.

Na prática, o receio é que o produtor tenha de rever investimentos, ajustar o manejo nutricional ou enfrentar um custo maior para manter o potencial produtivo dos pomares.

Margens apertadas aumentam preocupação para a próxima safra

O cenário preocupa ainda mais porque a expectativa é de margens mais apertadas na próxima safra de laranja. Com os custos operacionais subindo e os insumos mais caros, a rentabilidade da atividade pode ficar mais comprometida, principalmente se a pressão geopolítica continuar influenciando combustíveis, fertilizantes e fretes nas próximas semanas.

Segundo o Cepea, os desdobramentos internacionais vêm sendo acompanhados com bastante cautela pelos agricultores, justamente porque podem afetar o nível de investimento nas lavouras. Em um setor que depende de manejo intensivo e de decisões antecipadas, qualquer oscilação forte nos custos tende a alterar o planejamento produtivo.

Frete marítimo e logística entram no radar do setor

Outro fator que reforça a apreensão é o impacto sobre a logística global. Com o transporte internacional mais pressionado e o frete marítimo mais caro, a cadeia de suprimentos dos insumos agrícolas também sente os efeitos do conflito.

Isso significa que, mesmo quando o impacto não aparece imediatamente no preço final ao produtor, ele pode surgir nas próximas semanas por meio de reajustes em fertilizantes, combustíveis e outros produtos dependentes da dinâmica internacional.

Para a citricultura, esse tipo de movimento é especialmente relevante, já que o custo de produção depende fortemente da eficiência operacional e do planejamento antecipado das compras.

Produtor deve acompanhar cenário geopolítico com atenção

No agro, a leitura é clara: a crise internacional deixou de ser um fator distante e já começa a pesar nas decisões dentro da porteira. O avanço dos conflitos no Oriente Médio aumenta a volatilidade de custos e traz insegurança para um setor que já trabalha com margens mais justas.

Se a alta do diesel e dos fertilizantes continuar nas próximas semanas, os citricultores podem enfrentar uma safra mais cara e com menor espaço para investimento. Por isso, o momento é de atenção redobrada ao cenário geopolítico e aos reflexos que ele pode trazer para a rentabilidade da citricultura brasileira.

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