O comportamento dos preços dos alimentos registrou tendências divergentes nas gôndolas em agosto, dividindo o orçamento das famílias entre quedas pontuais e pressões inflacionárias setoriais. De acordo com o levantamento “Variações de Preços: Brasil Regiões”, elaborado pela Neogrid, o custo médio dos legumes teve retração de 16,9% na comparação com julho, acompanhado pelo recuo de 6,2% no quilo da carne suína — que passou de R$ 17,11 para R$ 16,05. O movimento de baixa também abrangeu ovos (-3,3%), feijão (-3%) e café moído e em grãos (-1,2%), refletindo o impacto da deflação de 0,32% apurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mês.
Apesar do alívio em itens específicos, categorias essenciais seguiram trajetória de alta no fechamento de agosto. O quilo da farinha de mandioca saltou 5,7%, passando de R$ 6,67 para R$ 7,05, enquanto a carne de frango subiu 2,9% em média no país, oscilando de R$ 12,29 para R$ 12,66. O arroz avançou 2,5%, seguido por acréscimos no molho de tomate (2%) e no pão (1,8%).
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O gerente executivo de Dados da Neogrid, Marcelo Alves, destaca que a dispersão de comportamentos exige leitura detalhada da cadeia produtiva ao consumidor.
“A combinação entre quedas e altas dentro da mesma cesta reforça que a inflação dos alimentos precisa ser analisada em um nível mais granular. Para o consumidor, isso significa que a percepção de alívio pode variar bastante de acordo com os produtos que fazem parte de sua rotina. Para a indústria e o varejo, acompanhar apenas a inflação média não basta. É necessário entender onde o preço está mudando, em qual categoria e em qual região, para ajustar estoque, reposição e planejamento comercial antes que a mudança apareça na ponta”, explica Alves.
Recortes no Sul e acúmulo de pressões em 2026
No recorte específico da Região Sul, o mercado exibiu variações acentuadas. A carne de frango liderou os aumentos locais com elevação de 5,6%, acompanhada por reajustes no arroz (+2,8%), feijão (+2,5%), molho de tomate (+2,1%) e leite em pó (+2%). Em sentido inverso, a maior deflação regional foi observada na cartela de ovos, que caiu 13,2%, seguida por legumes (-12,5%), sal (-3,3%), carne suína (-2,4%) e açúcar (-1,7%).
No acumulado de 2026 (período de dezembro de 2025 a agosto de 2026), o balanço consolidado nacional ainda reflete forte estresse nas despesas com alimentação básica. O feijão lidera os avanços do ano com salto de 30,9%, elevando seu preço médio de R$ 6,36 para R$ 8,33 por quilo. Logo atrás figura o leite UHT, com disparada de 29,9%. A lista de altas acumuladas no ano conta ainda com legumes (+12,6%), farinha de mandioca (+11,2%) e pão (+7,3%), indicando que o custo das principais fontes calóricas e proteicas permanece elevado no longo prazo.
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