Minas Gerais consolidou a colheita de 82.083 toneladas de algodão em pluma na safra 2025/2026, reafirmando sua posição como quarto maior produtor do país e líder isolado na região Sudeste. A cultura ocupou 39.839,60 hectares no estado, alcançando rendimento médio expressivo de 330 arrobas por hectare, segundo dados divulgados pela Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa).
A solidez do arranjo produtivo mineiro apoia-se nas diretrizes do Programa Mineiro de Incentivo à Cultura do Algodão (Proalminas), política pública que integrou os elos entre as fazendas e os polos de fiação e tecelagem. Por meio do Fundo de Desenvolvimento da Cotonicultura do Estado de Minas Gerais (Fundo Algominas), gerido pela Amipa, são financiados projetos de aprimoramento tecnológico, pesquisa genética, qualificação de mão de obra e fortalecimento da produção familiar.
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"Em Minas Gerais, estruturamos uma relação comercial madura entre o agricultor e a indústria. Isso deu segurança para o cotonicultor investir na produção. Hoje entregamos uma fibra de alta qualidade e temos um trabalho que contempla desde o produtor empresarial do Cerrado até a agricultura familiar no Norte de Minas", destaca o presidente da Amipa, Daniel Bruxel.
Padrão tecnológico da fibra e Biofábrica de Pragas
Os laudos laboratoriais da Central de Classificação de Fibra de Algodão (Minas Cotton) comprovaram a consistência da pluma colhida na temporada 2025/2026:
Comprimento: 97,3% das amostras registraram índice superior a 1,11 polegada;
Resistência intrínseca: 97,9% dos lotes superaram 28 g/tex;
Micronaire (finura e maturação): 94,9% dos testes posicionaram-se na faixa ótima de 3,5 a 4,9.
Segundo o classificador e gerente da Minas Cotton, Anicezio Resende, a combinação de clima favorável e manejo agronômico rigoroso garantiu o padrão exigido pelas indústrias têxteis de ponta, embora chuvas na reta final de colheita tenham interferido pontualmente na refletância (Rd) de alguns lotes.
No eixo socioambiental, 13 fazendas conquistaram o selo nacional do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) com dupla certificação pela Better Cotton Initiative (BCI), comprovando conformidade com padrões trabalhistas, governança hídrica e saúde do solo.
Irrigação de salvamento e cooperação na África e Ásia
No semiárido do Norte de Minas, o suporte aos agricultores familiares ocorre pelo Centro de Difusão de Tecnologias Algodoeiras de Catuti (Ceditac), que opera usina própria de descaroçamento e infraestrutura logística em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC).
O grande salto produtivo na região decorre da irrigação de salvamento, implantada com reservatórios escavados com geomembrana em 30 Unidades Técnicas Demonstrativas (UTDs).
"A produtividade média regional antes dessa tecnologia ficava em torno de 50 arrobas de algodão em caroço por hectare. Após a instalação da irrigação de salvamento, a produtividade saltou para 190 arrobas por hectare", relata Lício Augusto Pena de Sairre.
A experiência mineira ultrapassou fronteiras nacionais. Por meio de parcerias com o Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), a ABC e o Pnud, a Amipa conduz projetos de cooperação técnica internacional na África:
Senegal: coordenação de UTDs com variedades e manejos tropicais adaptados;
Mali: estruturação de laboratório de multiplicação de agentes biológicos;
Benin: instalação de laboratório de HVI para análise de fibra têxtil regional.
Em fóruns globais como a Large Farm Week, da Better Cotton, a entidade mineira estreitou laços de fornecimento têxtil com a Turquia e abriu diálogo para compartilhamento de biotecnologias com o Uzbequistão.
