O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu a patente de invenção à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para um método que viabiliza a produção, a estabilização e a aplicação de blastosporos fúngicos no controle biológico de pragas agrícolas. Intitulada “Métodos para produção, estabilização e uso de blastosporos fúngicos” (registro BR 112016006613-8), a titularidade da inovação é compartilhada entre a estatal brasileira e o Agricultural Research Service, vinculado ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA/ARS). Com validade de 20 anos a contar de setembro de 2015, o registro tem entre seus inventores o pesquisador Gabriel Mascarin, da Embrapa Meio Ambiente.
A inovação soluciona um dos maiores entraves da indústria de biodefensivos: a dificuldade de multiplicar células fúngicas em larga escala sem perder a viabilidade biológica após a desidratação e durante a estocagem comercial. O processo utiliza fermentação líquida para obter blastosporos de Beauveria bassiana e Cordyceps javanica, microrganismos entomopatogênicos capazes de parasitar e eliminar insetos daninhos em diversas culturas.
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Diferente do cultivo tradicional de conídios em substratos sólidos — que exige semanas de incubação, maior demanda de mão de obra e eleva o risco de contaminação cruzada —, a fermentação líquida encurta drasticamente o ciclo fabril e permite padronizar parâmetros ambientais e nutricionais do meio.
O pesquisador Gabriel Mascarin pontua que o arranjo de cultivo foi o fator determinante para atingir a escala industrial.
“Os resultados apresentados na patente indicam que a combinação desses fatores permite obter rapidamente altas concentrações de blastosporos. Em culturas de B. bassiana, por exemplo, condições de elevada aeração, concentração de nitrogênio superior a 15 gramas por litro, carbono igual ou superior a 60 gramas por litro e pressão osmótica acima de 0,5 MPa proporcionaram produção elevada em períodos mais curtos que os observados em processos anteriores. E além disso, com a patente de blastosporos, se torna mais fácil de ser licenciada em território nacional pelas empresas interessadas”, afirma o pesquisador.
Sobrevivência à secagem e controle de mosca-branca
O avanço central do método está na tolerância dos blastosporos à desidratação. Quando submetidos à dessecação com umidade final abaixo de 4%, isolados específicos de B. bassiana mantiveram taxas de germinação pós-reidratação entre 71% e 79%, utilizando farelo de algodão como fonte de nitrogênio. A tecnologia contempla rotas de secagem por leito fluidizado, a vácuo, corrente de ar e atomização (spray-drying), além do uso de carreadores que facilitam a ressuspensão na calda de pulverização.
Em testes de prateleira com embalagens herméticas e absorvedores de oxigênio e umidade, mais de 60% das células fúngicas preservaram viabilidade germinativa após seis meses de armazenamento em temperatura ambiente de 28 °C, com formulações aptas a atingir estabilidade de até dois anos.
Outro ganho agronômico ocorreu na infectividade. O meio sob alta pressão osmótica gerou blastosporos menores e esféricos, morfologia associada a uma virulência superior. Em ensaios contra ninfas de segundo estádio de mosca-branca, os blastosporos demonstraram eficácia letal quatro vezes superior à dos conídios aéreos convencionais, demandando uma concentração quatro vezes menor para atingir 50% de mortalidade das pragas.
O espectro de ação abrange o manejo de pulgões, tripes, lagartas, besouros, cigarrinhas, ácaros e cupins, com aplicação recomendada para a parte aérea, sulco de plantio ou incorporação ao solo.
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