O gergelim desponta em pesquisas agronômicas como alternativa de diversificação e agregação de renda para agricultores do sul da província de Ontário, no Canadá. Tradicionalmente associada a regiões tropicais e semiáridas, a cultura vem sendo validada pela Estação de Pesquisa Simcoe, vinculada à Universidade de Guelph, para compor sistemas de rotação aproveitando maquinários agrícolas convencionais de plantio e colheita de grãos.
O estímulo para o desenvolvimento agronômico é tracionado pela demanda direta de processadores industriais locais de óleo, tahine e confeitarias. O Canadá importou aproximadamente 10,1 milhões de quilos de sementes de gergelim em 2024, tendo a Índia como principal fornecedora, seguida pela Nigéria, conforme dados do Banco Mundial. De acordo com Evan Elford, especialista do Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais de Ontário, o interesse fabril por fornecimento doméstico acelerou os ensaios de campo.
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Os testes conduzidos com linhagens desenvolvidas pela norte-americana Sesaco indicaram ciclo vegetativo entre 110 e 120 dias, com produtividade média em torno de 600 quilos por hectare. No entanto, a implantação exige rigor técnico específico:
Temperatura de germinação: A semente demanda solo a uma temperatura mínima de 20 °C; semeaduras em solo frio resultaram em inviabilidade total de emergência;
Hábito de crescimento: Por possuir padrão indeterminado, a secagem natural depende de geadas ou dessecação química artificial, desafio agravado em outonos de temperaturas amenas;
Mecanização compatível: A semeadura e a colheita direta foram realizadas com semeadoras de fluxo contínuo e colheitadeiras padrão de grãos já disponíveis nas propriedades.
Vazio regulatório de defensivos e gargalos de suprimento
Apesar da receptividade mercadológica, o escalonamento em larga escala esbarra em barreiras fitossanitárias. Os ensaios registraram incidência de pulgões, manchas bacterianas e requeima, em um ambiente regulatório com escassez crítica de defensivos registrados para a cultura no país.
O entrave principal reside na inexistência de herbicidas comerciais autorizados para gergelim no Canadá, o que limita o controle de plantas daninhas na fase inicial de estabelecimento. O governo federal iniciou testes de uso minoritário (minor use), procedimento regulatório que pode exigir anos até homologação oficial.
Conforme avalia Evan Elford, a rápida expansão da cultura nas planícies canadenses dependerá da consolidação de corretores locais de grãos (aggregators) que estruturem canais logísticos entre as fazendas e as plantas de processamento.
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