Um estudo científico conduzido por pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente e instituições parceiras, publicado na revista internacional GCB Bioenergy, promete revolucionar a contabilização dos estoques de carbono na cultura da cana-de-açúcar no Brasil. Os cientistas desenvolveram um parâmetro específico para a realidade nacional, denominado CFSUG (fator de carbono da biomassa da cana fixado em 0,133), que calcula com alta precisão a quantidade de carbono armazenada na lavoura a partir da produtividade agrícola de cada município.
A nova metodologia corrige uma deficiência histórica dos inventários ambientais, que utilizavam valores genéricos (default) definidos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Essas métricas internacionais não refletiam as altas produtividades, os tipos de solo e os sistemas de manejo praticados no Brasil.
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Remoção líquida de carbono e ganhos regulatórios
Ao aplicar o novo indicador ao histórico de expansão direta da cana-de-açúcar no Brasil entre os anos de 2000 e 2019, os pesquisadores identificaram um balanço negativo de CO₂, o que significa que o cultivo promoveu a remoção líquida do gás da atmosfera. O saldo médio estimado foi de -4,8 milhões de toneladas de CO₂ por ano.
Com a aplicação do fator nacional, 62% dos municípios produtores demonstraram capacidade de absorver mais carbono do que emitir, proporção significativamente superior às estimativas anteriores.
Segundo as autoras da pesquisa, Thayse Hernandes e Nilza Patrícia Ramos, a consolidação desse dado oferece suporte técnico incontestável para:
Inventários de Gases de Efeito Estufa (GEE): Aumento da precisão nos dados oficiais do País;
Programas de Certificação: Fortalecimento dos cálculos de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) e da emissão de CBIOs no programa RenovaBio;
Transição Energética: Comprovação da sustentabilidade ambiental do etanol e da bioenergia em negociações internacionais.
A flexibilidade do método permite que ele seja atualizado continuamente à medida que novas tecnologias de produção e variabilidades climáticas se consolidem no campo.
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