Segundo a Hedgepoint Global Markets, os preços do açúcar bruto atingiram recentemente 14,04 c/lb, o menor nível em cinco anos. Parte do superávit global esperado se deve ao bom desempenho da região Centro-Sul do Brasil no segundo semestre da safra. Até o momento, a produção acumulada do ciclo já superou a anterior.
No Hemisfério Norte, a perspectiva também é positiva para a safra 2025/26. Condições climáticas favoráveis na Índia e na Tailândia fortalecem a oferta. Ao mesmo tempo, a autorização de exportações indianas aumenta a disponibilidade global de açúcar, compensando a entressafra brasileira.
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Tendência de preços
Nos últimos meses, o açúcar passou por forte tendência de baixa. Entre outubro e novembro, o contrato bruto março/26 caiu para 14,04 c/lb, enquanto o contrato branco dezembro/25 chegou a 406 USD/Mt, menor patamar desde dezembro de 2020. No entanto, houve uma recuperação modesta, principalmente devido ao cenário macroeconômico. A paralisação de 43 dias do governo dos EUA terminou com aprovação de novo pacote de financiamento, dando algum suporte ao mercado.
Brasil e produção local
Apesar do suporte macroeconômico, os fundamentos permanecem baixistas. A moagem no Brasil se recuperou após julho, mantendo a expectativa de 605 Mt de cana-de-açúcar, ligeiramente abaixo da safra anterior. Além disso, o mix de produção continua elevado, resultando em maior produção acumulada de açúcar para 25/26.
O mix voltado para etanol pode sofrer pequenas alterações nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Porém, os números gerais de açúcar devem permanecer em cerca de 40,9 Mt, segundo a Hedgepoint.
Hemisfério Norte e Índia
Na Tailândia, condições climáticas favoráveis reforçam a previsão de produção em 10 Mt, embora o monitoramento do fenômeno La Niña siga sendo necessário. Na Índia, a produção estimada é de 30,95 Mt. Além disso, o governo autorizou 1,5 Mt para exportação no ciclo 25/26. O aumento marginal da área plantada e o bom desenvolvimento da cana nas regiões produtoras sustentam as expectativas de oferta.
Consequentemente, a Hedgepoint aponta que a oferta global robusta, incluindo a Índia, deve compensar restrições da entressafra brasileira. Assim, o excedente no ciclo 25/26 limita a valorização dos preços e mantém o cenário baixista.
