Segundo levantamento realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, as cotações do açúcar cristal mantiveram trajetória de alta no mercado físico do estado de São Paulo, embora o ímpeto de valorização tenha demonstrado desaceleração ao longo dos últimos dias. Com o novo avanço, o indicador contabilizou a 14ª elevação semanal consecutiva, configurando o período mais duradouro de valorização ininterrupta para a commodity desde o ano de 2020.
O suporte aos valores praticados decorre diretamente das instabilidades climáticas verificadas nos polos produtores. De acordo com pesquisadores do Cepea, a persistência de chuvas sobre a macrorregião Centro-Sul mantém os agentes de mercado em alerta constante devido aos atrasos operacionais gerados sobre a colheita, que reduzem a velocidade da moagem nas unidades industriais e prejudicam o padrão de qualidade e concentração de açúcares na matéria-prima colhida.
Preço do açúcar cristal tem maior alta em cinco semanas em SP
Preço do açúcar cristal sobe pouco sob pressão do dólar
Pressão do mix e restrição na oferta do adoçante
Paralelamente às dificuldades causadas pelo clima úmido nos canaviais, o perfil produtivo das unidades fabris tem restringido a disponibilidade de açúcar cristal nos entrepostos comerciais. A postura das usinas em priorizar o processamento de etanol ao longo da temporada reduziu a proporção de caldo destinada à cristalização do produto alimentício, encurtando o volume disponibilizado no mercado à pronta-entrega.
Mesmo com compradores demonstrando maior cautela e reduzindo o ritmo das altas na ponta compradora, a combinação entre safra comprometida por chuvas pontuais e menor fabricação industrial do adoçante sustenta os preços em patamares elevados para as indústrias e fornecedores do setor em São Paulo.
