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Alta nos preços e oferta restrita reduzem demanda por cacau no mundo

StoneX estima queda de 2,8% na moagem global em 2024/25, mas projeta recuperação moderada para o ciclo seguinte

Foto do autor Redação RuralNews
27/05/2025 |
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A moagem global de cacau, que historicamente acompanhou o crescimento do PIB mundial, tem apresentado retração diante do atual cenário de oferta. De acordo com relatório da StoneX, empresa internacional de serviços financeiros com atuação especializada no mercado de cacau, o processamento da amêndoa cresceu 2,6% ao ano desde 1960, enquanto o PIB global avançou, em média, 3,4% ao ano, conforme dados do Banco Mundial.

No entanto, a atual crise de oferta vem alterando esse comportamento. Conforme a StoneX, os últimos trimestres demonstram uma queda na demanda global por cacau.

“O segundo trimestre de 2023 – em meio à quebra da safra 2023/24 – marcou o início da queda no processamento global, que se estendeu até o primeiro trimestre de 2025, período em que foi registrada uma retração de 3,5%”, afirma Rafael Borges, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Os principais fatores para essa redução foram os preços elevados e a menor disponibilidade da amêndoa, o que levou a indústria a reduzir o uso do cacau em seus produtos.

Diante desse panorama, a expectativa é de uma redução de 136 mil toneladas (-2,8%) na moagem na safra 2024/25. Com isso, estima-se um superávit de cerca de 96 mil toneladas para o ciclo, após um déficit de aproximadamente 460 mil toneladas na safra anterior, 2023/24.

Para a temporada 2025/26, Borges aponta que pode haver uma recuperação da demanda, embora ainda limitada pelos altos preços e pelas tendências estabelecidas desde 2024. “A estimativa inicial de demanda para o ciclo 2025/26 é de 4,786 milhões de toneladas (+0,8%)”, destaca.

Segundo a StoneX, o setor vem enfrentando dificuldades devido à elevação dos preços do cacau e seus derivados. Isso estimulou o uso de substitutos para a amêndoa e estratégias para reduzir sua utilização nos produtos finais.

Essa movimentação já afeta segmentos como o de chocolates. Nas barras, por exemplo, cresce a presença de waffers, frutas, castanhas e outros ingredientes, além da reformulação no tamanho e formato dos produtos.

A manteiga de cacau, coproduto mais caro e nobre, também vem sendo parcialmente substituída. “Essas alternativas podem ser utilizadas em diferentes proporções, sendo os derivados da palma os mais comuns, por conferirem textura e consistência similares à manteiga de cacau”, explica Borges.

Apesar da intenção de evitar o repasse do aumento de custos ao consumidor, a substituição pode limitar o crescimento futuro da moagem e da demanda por cacau.

Borges alerta, contudo, que há limites regulatórios. “Produtos rotulados como ‘chocolate’ devem conter uma quantidade mínima de manteiga de cacau ou ingredientes específicos, o que varia conforme a categoria. Por isso, a substituição total compromete características importantes do produto”, finaliza.

TAGS: #Cacau # Preços
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Editor RuralNews
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