Tarifas americanas sobre cacau e derivados elevam custos e alteram fluxos comerciais, afetando preços e competitividade do setor em 2025.
As importações de cacau pelos Estados Unidos continuam concentradas principalmente em quatro categorias: amêndoas (39%), manteiga (17%), pó (19%) e pasta (25%). A Costa do Marfim permanece como o principal fornecedor de grãos, mesmo com a tarifa de 15% aplicada, enquanto o Equador tem ampliado sua participação, especialmente devido a quedas na produção marfinense.
Em relação aos subprodutos, países como Malásia, Indonésia e Índia enfrentam tarifas elevadas, que tendem a encarecer os insumos usados pela indústria dos EUA. Segundo a analista Carolina França, da Hedgepoint, essa situação pode aumentar os custos de produção, gerando vantagem competitiva para fabricantes do Canadá e México. Isso acontece porque esses países possuem acordos comerciais com os EUA, reduzindo ou eliminando tarifas e dificultando a competitividade da indústria americana.
Os preços do cacau para o contrato de dezembro de 2025 fecharam na última sexta-feira (8) em USD 7.978 por tonelada em Nova York, e GBP 5.415 por tonelada em Londres. Essas cotações representam altas semanais de 5,6% e 0,6%, respectivamente. No entanto, durante a semana, o mercado apresentou volatilidade, alternando entre quedas e altas. Isso ocorreu em meio a temores sobre a oferta e incertezas relativas à demanda.
A nova rodada de tarifas, que entrou em vigor em 7 de agosto, atinge mais da metade do volume total de importações de cacau dos EUA. Esse movimento pode alterar custos, fluxos comerciais e até mesmo impactar a inflação no país, conforme aponta Carolina França.
Para o Brasil, a situação ficou mais complexa, já que o país, que anteriormente atuava como um importante processador e fornecedor de manteiga de cacau para o mercado norte-americano, passou a enfrentar uma tarifa de 50% sobre suas exportações. Essa medida inviabiliza a estratégia de redirecionar grãos para os EUA via países com tarifas mais baixas, o que gera um impacto considerável para o setor.
Apesar das preocupações, as importações líquidas totais de cacau dos EUA voltaram a níveis médios em junho, impulsionadas pelo aumento no volume de subprodutos importados. Esse cenário sugere uma demanda relativamente resiliente. Além disso, houve também uma possível antecipação de compras antes da vigência das novas tarifas, o que contribuiu para o aumento das aquisições.
O mercado segue atento aos efeitos dessas tarifas, não apenas pelas mudanças nos fluxos comerciais e preços, mas também pelo impacto sobre a inflação e a economia norte-americana. A combinação desses fatores deve continuar gerando volatilidade no mercado de cacau ao longo de 2025. Paralelamente, a expectativa sobre os resultados da safra 2024/25 e o início da temporada 2025/26 adicionam ainda mais incertezas ao cenário.