Líderes sindicais dizem que ainda é cedo para avaliar total de danos no agro

Rio Grande do Sul ainda contabiliza seus prejuízos tanto no campo como na cidade
Vandré Dubiela
- Especial para Rural News
Publicado em 15/05/2024

O Rio Grande do Sul ainda une forças em busca de sua reconstrução. Famílias perderam tudo e contam com a ajuda de outras pessoas para recomeçar. Na agricultura, não é diferente. Lavouras inteiras foram dizimadas e os prejuízos ainda são contabilizados.

Para líderes sindicais ouvidos pelo Rural News, ainda é muito cedo para mensurar os danos causados pelas enchentes no Rio Grande do Sul
Enchentes deixaram um rastro de destruição e morte no Rio Grande do Sul: reconstrução vai levar muito tempo. Foto: MAPA
Enchentes deixaram um rastro de destruição e morte no Rio Grande do Sul: reconstrução vai levar muito tempo. Foto: MAPA

O presidente do Sindicato Rural de Toledo, região Oeste do Paraná, Nelson Gafuri, afirma que o impacto será considerável, principalmente em relação ao arroz, uma vez que o Rio Grande do Sul é o maior produtor desta cultura do Brasil. “Milho e soja também já começam a sentir esses reflexos. É muita desgraça em um lugar só e levará muito tempo para os gaúchos se recuperaram dessa tragédia”.

Por sua vez, o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava/PR, Rodolpho Botelho, os danos são extremos tanto no campo como na cidade. “Todos os setores foram afetados severamente, mas o impacto maior, sem dúvida, será sentido em relação à proteína animal, mais especificamente na suinocultura”.

Logística afetada

Com diversos pontos de bloqueio, totais ou parciais, ainda ativos, além da queda de pontes e desbarrancamentos, a logística no estado foi extremamente comprometida. Ainda existe a impossibilidade do tráfego de veículos em diversas áreas, inclusive de resgate e saúde. As BR´s 116, 386 e 290 sofreram os impactos das enchentes, além de diversas outras estradas estaduais e municipais. O aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, está fechado por tempo indeterminado.

Segundo a Portos RS, as operações no Porto de Porto Alegre e no Porto de Pelotas estão paralisadas, enquanto o Porto de Rio Grande segue operando normalmente. Os alagamentos e os danos à infraestrutura do estado podem afetar a logística de transporte dos principais produtos regionais, por exemplo o arroz e frutas, tais como uva, pêssego e maçã.

Balança comercial

Segundo o relatório Radar Agro, produzido pela equipe do Itaú BBA, os efeitos na balança comercial devem ser vistos a partir de maio. Os impactos, não somente sobre a produção, mas também na estrutura de escoamento do estado, ainda precisam ser avaliados. Segundo dados da Secex, o Rio Grande do Sul é o sexto maior estado exportador do país, representando 6,6% de todo o valor vendido pelo Brasil ao exterior no ano passado. O produto mais exportado pelo Rio Grande do Sul é a soja, que concentrou 18% do total vendido ao exterior em 2023.

Perdas

O analistas do Itau BBA acreditam que as perdas de produção de arroz, soja e milho serão bem menores que o impacto potencial. O arroz é a cultura que traz mais preocupação, em virtude da concentração da produção nacional no Rio Grande do Sul, equivalente a 70% do total. Nessa safra, devido ao El Niño, o plantio e o desenvolvimento da lavoura atrasaram, o que, consequentemente, postergou também a colheita em algumas regiões.

De acordo com o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), 82% da área gaúcha do cereal foi colhida até 8/mai. Com isso, dos 900 mil hectares semeados de arroz irrigado, restam 142 mil hectares para serem colhidos.




Enchentes deixaram um rastro de destruição e morte no Rio Grande do Sul: reconstrução vai levar muito tempo. Foto: MAPA

Participação do RS na produção nacional em 2023 e impacto potencia

Sobre o autor Vandré Dubiela

Com mais de três décadas dedicadas ao jornalismo, iniciou a carreira no Jornal O Paraná, de Cascavel, passando pelas principais editorias. Conta com textos e fotografias publicados nos principais meios de comunicação nacional, entre os quais a Folha de São Paulo, Estado de S. Paulo, Gazeta do Povo e Revista Grid. Atuou ainda como produtor da TV Tarobá, afiliada da Band e como editor de portais de notícias. Também é autor do livro AREAC 50 anos – Pioneirismo na defesa e na valorização da agronomia paranaense. Nos últimos anos, se especializou em agronegócio, produzindo reportagens e artigos do gênero, inclusive trabalhos dedicados à OCEPAR (Organização das Cooperativas do Estado do Paraná).
TAGS:
COMENTÁRIOS

O QUE VOCÊ ACHOU DESSE CONTEÚDO? DEIXE SEU COMENTÁRIO...

Assine nossa NEWSLETTER
Notícias diárias no seu email!
Destaques
Assine nossa NEWSLETTER
Notícias diárias no seu email!

Ao continuar com o cadastro, você concorda com nossos termos de privacidade e consentimento da nossa Política de Privacidade.