O mercado da uva de mesa no Vale do São Francisco (PE/BA) iniciou o mês de setembro sob sinais consistentes de alívio comercial. A retração mais acentuada nos volumes ofertados da cultivar sem sementes BRS Vitória estancou a trajetória descendente de preços que vinha se arrastando desde abril, viabilizando as primeiras valorizações no polo produtor nordestino.
De acordo com o levantamento semanal da equipe de Hortifrúti do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a rentabilidade da variedade permaneceu severamente comprometida ao longo de agosto, oscilando no limite dos custos operacionais de produção.
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A pressão negativa dos últimos meses decorreu da convergência de múltiplos fatores de mercado:
Desaquecimento do consumo: Retração na demanda dos grandes centros atacadistas do Sudeste provocada pelas temperaturas mais baixas do inverno;
Sazonalidade interna: Queda no fluxo de compras institucionais e de varejo associada às férias escolares de meio de ano;
Vácuo de comércio exterior: Intervalo logístico entre as janelas tradicionais de exportação marítima para os mercados da Europa e América do Norte;
Concorrência interna: Aumento progressivo na disponibilidade de uvas brancas sem semente, que sobrecarregou as centrais de abastecimento e limitou a liquidez das uvas negras.
Com o enxugamento da colheita em campo neste início de setembro, os valores médios de comercialização finalmente reagiram. A equipe de pesquisadores do Cepea projeta que a recuperação das cotações ocorrerá de forma gradual e moderada até meados do mês corrente.
A partir da segunda quinzena, contudo, a perspectiva desenha-se ainda mais favorável aos produtores. A aceleração dos embarques para o mercado internacional e o recuo programado nos volumes das uvas brancas devem equilibrar a oferta doméstica global de ambas as categorias, restabelecendo o fôlego financeiro e recompondo as margens operacionais dos viticultores do semiárido.
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