O Paraná mantém papel central no escoamento logístico do país, sustentado pela força do agronegócio e pelo dinamismo dos portos de Paranaguá e Antonina, que movimentaram o recorde de 73,5 milhões de toneladas em 2025, com mais de 507 mil caminhões recepcionados apenas no Pátio Público de Triagem. Contudo, a lentidão nas etapas de carga, descarga e liberação de veículos segue como um dos principais gargalos para o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), comprometendo a rentabilidade das transportadoras e a pontualidade no abastecimento.
De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), embora a Lei nº 11.442/2007 preveja até cinco horas como prazo tolerável nas docas, essa janela já é considerada excessiva para os padrões operacionais modernos. Segundo o presidente da entidade, Silvio Kasnodzei, como a jornada de trabalho útil do motorista gira em torno de oito horas, uma única espera consome mais da metade do dia produtivo do caminhão, acumulando despesas fixas com seguro, financiamento, rastreamento e remuneração sem a correspondente geração de receita.
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Impactos jurídicos da ADI 5322 e custos adicionais
A pressão financeira sobre o setor intensificou-se após o julgamento da ADI 5322 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que redefiniu o tempo de espera nas instalações do embarcador ou destinatário como parte integrante da jornada regular de trabalho, passando a ser remunerado de forma integral. A esse custo trabalhista somam-se a queima improdutiva de combustível, a depreciação do equipamento parado e o custo de oportunidade pelas viagens que deixaram de ser executadas no período.
A incerteza no fluxo das entregas obriga as empresas a superdimensionar frotas e esticar intervalos entre atendimentos para mitigar riscos, elevando o custo global da operação logística. Diante desse cenário, a entidade cobra que terminais e embarcadores adequem suas equipes e infraestrutura de docas ao volume movimentado, fornecendo comprovantes formais com os horários exatos de entrada e saída dos veículos.
Digitalização e protocolo integrado de boas práticas
Para o Setcepar, a superação desse entrave prescinde de aportes vultosos e reside na digitalização e governança de processos já consolidados no mercado, como a implantação de agendamento eletrônico com janelas horárias estritas e monitoramento do tempo de permanência, a integração digital de documentos e notas fiscais para eliminar conferências manuais e filas nas portarias, além da criação de um protocolo estadual de boas práticas congregando transportadoras, embarcadores, destinatários e poder público.
A entidade reforça que otimizar o giro dos veículos no pátio e agilizar os embarques resulta em ganhos diretos de eficiência, fretes mais competitivos e melhor fluxo econômico para toda a cadeia produtiva paranaense.
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