A diferença entre transformar chuvas torrenciais em reserva hídrica ou em prejuízo financeiro depende diretamente da estrutura de conservação do solo. Um estudo conduzido desde 2018 pela Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada (Rede Agropesquisa), por meio do arranjo Napi-Prosolo e com apoio da Fundação Araucária, monitora o impacto da erosão em lavouras de soja, milho e trigo no município de Toledo, no Oeste do Paraná.
Os ensaios científicos são realizados em megaparcelas de 0,8 hectare e avaliam como o terraceamento atua como uma barreira física fundamental contra o escorrimento superficial. Em 2023, durante o acompanhamento de 25 eventos pluviométricos que somaram 571,3 milímetros de precipitação, as áreas com terraços registraram perda superficial de apenas 0,28% da água. Isso significa que 99,7% de toda a chuva infiltrou no perfil do solo, criando uma reserva subterrânea para enfrentar períodos de veranico.
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Proteção contra temporais e economia com replantio
A eficiência da estrutura ficou comprovada em eventos climáticos extremos. Em outubro de 2022, após um acumulado inicial de 114 mm, o talhão recebeu a semeadura da soja. Quatro dias depois, uma nova precipitação intensa de 154 milímetros atingiu a propriedade.
Nas faixas protegidas por terraços, a cultura emergiu de forma homogênea, sem arraste de palhada ou abertura de valas. Já na área sem contenção, a força da enxurrada abriu sulcos profundos, removeu a matéria orgânica superficial e forçou o produtor a realizar o replantio imediato, elevando o custo operacional da safra.
Enxurrada carrega adubo e microbiologia
Além do dano visual na lavoura, a erosão hídrica provoca um prejuízo financeiro invisível ao arrastar a fração mais nobre do solo. A água que escorre sem controle carrega sementes recém-lançadas e dissolve macronutrientes essenciais aplicados via adubação de base e cobertura, como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio, além de degradar o carbono e a microbiologia benéfica da rizosfera.
Os pesquisadores reforçam que os terraços não atuam sozinhos e exigem manejo integrado. Para garantir a máxima retenção hídrica e fertilidade, o sistema precisa associar o terraceamento à semeadura direta na palha, plantio em nível, rotação de culturas e manutenção permanente da cobertura vegetal.
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