A intensidade de uma precipitação pode atuar como um motor de produtividade ou gerar prejuízos agronômicos e financeiros, a depender do manejo adotado na propriedade. Um estudo de longo prazo conduzido por pesquisadores da Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada (Rede Agropesquisa), no âmbito do Napi-Prosolo e em parceria com a Fundação Araucária, monitora desde 2018 a dinâmica da água em lavouras de soja, milho e trigo em Toledo, na região Oeste do Paraná.
A pesquisa, que também possui unidades em Presidente Castelo Branco, Cianorte, Cambé, Ponta Grossa, Guarapuava e Dois Vizinhos, avalia a retenção hídrica em megaparcelas experimentais de 0,8 hectare.
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Em 2023, durante a análise dos oito eventos de chuva com maior potencial erosivo — que totalizaram 571,3 milímetros de precipitação —, apenas 0,28% do volume escoou superficialmente. Na prática, 99,72% da água infiltrou no perfil do solo, transformando a área em uma reserva hídrica subterrânea disponível para as raízes durante eventuais veranicos.
Proteção contra temporais e contenção de perdas
A importância das curvas de nível e barreiras físicas ficou evidente em episódios de precipitações concentradas. Em um teste prático, logo após a semeadura da soja sobre solo úmido (114 mm acumulados), a área recebeu um novo temporal de 154 milímetros em quatro dias.
Nos talhões terraceados, a soja emergiu com uniformidade, mantendo a palhada intacta e sem abertura de valas. Já no espaço desprotegido, a enxurrada abriu sulcos profundos, carregou a palha de cobertura e forçou o replantio imediato.
De acordo com a pesquisadora Graziela Cesare Barbosa, a enxurrada gera um prejuízo invisível ao lavar a camada arável rica em matéria orgânica, carbono e micro-organismos, além de dissolver e carregar adubos aplicados, como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio.
Integração de práticas conservacionistas
Para o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Marcio Spinosa, os dados científicos dão suporte a tomadas de decisão seguras para elevar a eficiência produtiva e garantir a sustentabilidade dos recursos naturais.
Os pesquisadores reforçam, contudo, que o terraceamento não opera de forma isolada, exigindo um sistema integrado composto por semeadura direta de qualidade com rotação de culturas, plantio em nível seguindo as cotas do relevo, manutenção constante de alta cobertura morta (palhada) ou plantas de cobertura verdes, além da descompactação biológica e estruturação física do solo para alcançar a retenção máxima e a conservação da área.
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