A cadeia do trigo no Brasil entra no ciclo 2026/2027 sob forte alerta de pressão inflacionária e aperto na oferta. De acordo com o Sindicato da Indústria do Trigo de São Paulo (Sindustrigo), uma combinação severa de quebra de safra doméstica, instabilidade no Mar Negro e perdas climáticas provocadas pelo El Niño forçará o país a aumentar a dependência de trigo importado, encarecendo os custos operacionais da moagem.
Os números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) confirmam o recuo: a produção brasileira está projetada em 5,8 milhões de toneladas, um tombo expressivo de 26% (cerca de 2 milhões de toneladas a menos) na comparação com o período anterior. A área plantada também encolheu 20,4%, fixando-se em 1,92 milhão de hectares — o menor patamar registrado desde 2020.
Ataques no Mar Negro e quebra no Mercosul pressionam mercado de trigo
Oferta restrita sustenta preços do trigo mesmo com liquidez baixa
Clima no Sul e risco na qualidade do grão
O excesso de precipitações no Sul do Brasil acendeu o sinal vermelho nos campos. No Paraná, as primeiras áreas colhidas já enfrentam problemas fitossanitários e perda de peso específico. No Rio Grande do Sul, o excesso de umidade afeta o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo das lavouras.
O risco maior, segundo o setor industrial, recai sobre a qualidade tecnológica do grão (força de glúten e estabilidade), indispensável para a indústria de panificação.
Argentina exporta menos e Mar Negro trava fluxo
Para cobrir o consumo nacional — estimado em mais de 13 milhões de toneladas —, o Brasil precisará buscar volumes expressivos no exterior. No entanto, os fornecedores tradicionais também enfrentam restrições.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta queda de 19% nas exportações da Argentina, afetada por chuvas que degradaram o padrão dos trigais. No front global, a guerra no Mar Negro mantém o frete marítimo valorizado e a logística travada, enquanto o El Niño atinge seu ápice global.
A necessidade de buscar matéria-prima em portos mais distantes, combinada com a volatilidade das bolsas de Chicago e Kansas e o câmbio valorizado, deve acelerar o repasse de preços para a indústria de derivados, atingindo massas, biscoitos e pães.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
