A abertura emergencial do mercado norte-americano decorre de um quadro severo de restrição de oferta doméstica. De acordo com dados compilados pela TF Agroeconômica, o rebanho bovino dos Estados Unidos atingiu o menor patamar dos últimos 75 anos. Como reflexo dessa contração, o preço médio da carne moída alcançou a marca de US$ 6,82 por libra-peso em junho de 2026, acumulando uma disparada de 79% desde o início de 2019.
O déficit de matéria-prima foi agravado pela suspensão, decretada em 2025, de parcela significativa das importações de gado em pé provenientes do México devido a preocupações sanitárias com a bicheira-do-Novo-Mundo. Diante dessa conjuntura, o decreto da Casa Branca visa suprir rapidamente as processadoras de carne sem alterar acordos de livre-comércio vigentes e sem atingir países que já contam com cotas bilaterais exclusivas.
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Oportunidade para a pecuária brasileira e o papel da cota
A liberação da cota extra representa uma válvula de escape relevante para a cadeia exportadora de carne bovina do Brasil. Conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a carne nacional está incluída no grupo de fornecedores beneficiados pela medida. No modelo tradicional, as cargas brasileiras disputam uma cota compartilhada e, após o teto ser atingido, passam a recolher uma tarifa extra-cota de 26,4%.
O alívio tarifário ocorre em um momento estratégico para os frigoríficos brasileiros, que viram o ritmo das vendas para a China desacelerar após o preenchimento da cota anual isenta de sobretaxa. Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil exportou 233,8 mil toneladas de carne bovina para os EUA — alta de 17,1% em volume —, gerando um faturamento cambial de US$ 1,54 bilhão (+33,1%).
Atualmente, cerca de 50 plantas frigoríficas instaladas no Brasil estão habilitadas a exportar para o mercado norte-americano. Embora a ampliação da cota facilite o escoamento do produto nacional, a Abiec pondera que os EUA não substituem a demanda chinesa, visto que os dois destinos consomem cortes com perfis e faixas de preços distintos, exigindo atenção às margens operacionais da indústria.
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