O Sistema Famato (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso) emitiu um comunicado técnico reforçando a necessidade urgente de intensificar as medidas profiláticas contra a raiva dos herbívoros nas fazendas do estado. A entidade orienta os pecuaristas a redobrar a vigilância nos pastos e a comunicar prontamente qualquer sintoma neurológico suspeito ao Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), viabilizando a pronta intervenção do Serviço Veterinário Oficial.
A raiva é uma enfermidade viral aguda, incurável e letal que compromete o sistema nervoso central de todos os mamíferos. Na pecuária de corte e de leite, a principal via de infecção é a espoliação causada por mordeduras de morcegos hematófagos (Desmodus rotundus). Entre os sinais característicos da infecção estão o isolamento voluntário do lote, locomoção cambaleante, desorientação com choque contra mourões e cercas, paralisia progressiva do trem posterior, engasgo, incapacidade de deglutição, decúbito lateral prolongado com movimentos involuntários de pedalagem e morte subsequente.
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O coordenador da Comissão de Pecuária da Famato, Amarildo Merotti, salienta que a defesa sanitária do rebanho depende do rigor diário na fazenda:
“A prevenção é construída no dia a dia da propriedade, com vacinação, observação do rebanho e comunicação ao serviço veterinário quando houver alguma situação fora do normal. A Famato atua para reforçar essas orientações e aproximar o produtor das informações, contribuindo para uma atuação conjunta entre quem está no campo e os órgãos responsáveis pela defesa sanitária”, destaca Merotti.
Seis casos em setembro, diagnóstico sem custo e risco de zoonose
O alerta sanitário ganhou urgência após a confirmação laboratorial de seis casos de raiva ao longo de setembro — sendo um em equino e cinco em bovinos — em propriedades rurais situadas nos municípios de Dom Aquino e Rondonópolis. De acordo com os registros oficiais do Indea-MT, Mato Grosso contabilizou 25 focos em 2024, 26 em 2025 e já soma 18 focos em 2026 até o dia 27 de setembro.
O assessor técnico em Pecuária da Famato, Marcos Carvalho, adverte que peões e gerentes de fazenda nunca devem tentar medicar ou abrir a boca de animais com salivação excessiva ou sinais nervosos:
“Quanto mais cedo uma alteração é percebida e levada ao conhecimento do serviço veterinário, mais rapidamente é possível investigar a situação e adotar as medidas necessárias. O Indea possui laboratório próprio e parceria com a UFMT. Nos casos de alterações neurológicas com a morte dos animais, a coleta desse material proporciona o diagnóstico e a possibilidade de ação efetiva frente ao problema. Tudo isso sem custo para os produtores”, pontua Carvalho.
A vacinação do rebanho permanece como a barreira sanitária mais eficaz. Bovinos e equinos que recebem a dose pela primeira vez necessitam de um reforço obrigatório após 30 dias, seguido por revacinação anual sistemática em todo o plantel. Além disso, produtores rurais devem notificar a presença de mordeduras recentes na ponta da orelha ou tábua do pescoço dos animais e a localização de cavernas, bueiros ou troncos ocos que sirvam de refúgio para morcegos, permitindo que as equipes oficiais realizem o controle populacional com pasta vampiricida.
Por se tratar de uma zoonose de extrema gravidade com risco à vida humana, qualquer trabalhador que tenha tido contato salivar com animal suspeito ou sofrido ataque de morcego deve procurar atendimento médico de urgência para sorovacinação profilática e notificar as autoridades do Indea-MT.
