A semana começou sob forte pressão baixista na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). De acordo com relatório divulgado nesta manhã de segunda-feira pela Granoeste Corretora, os preços futuros da soja operam em forte queda, com a posição novembro/26 registando perdas de 23 pontos e caindo para a faixa de US$ 12,96 por bushel. O movimento reverte a trajetória da semana anterior, que havia acumulado ganhos ligeiramente superiores a 1% em meio a acentuadas oscilações.
A correcção negativa reflecte a decepção generalizada dos agentes de mercado com os desdobramentos da cúpula entre os governos dos Estados Unidos e da China. Conforme detalha a análise da Granoeste Corretora, o governo chinês anunciou uma redução na tarifa de 10% aplicada à importação de produtos agrícolas norte-americanos; contudo, a medida não contemplou a soja em grãos.
Menor oferta e dólar mantêm preços da soja firmes no país
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Com a sobretaxa mantida sobre a oleaginosa bruta norte-americana, a soja do Brasil e da Argentina preserva ampla vantagem de preço e competitividade perante a indústria privada chinesa. As esmagadoras independentes do país asiático deverão continuar a priorizar a originação sul-americana para assegurar margens viáveis de lucro, restando às companhias estatais de Pequim a execução da cota obrigatória de 25,0 milhões de toneladas anuais acordada bilateralmente com Washington.
Embora o farelo e o óleo de soja tenham sido contemplados com reduções tarifárias para a entrada na China (com taxas e datas de vigência ainda por regulamentar), o impacto prático dessa concessão é considerado irrisório. A estratégia económica chinesa está focada em maximizar o processamento interno de matéria-prima. Para o ciclo 2026/27, projectam-se importações chinesas de apenas 0,10 milhão de toneladas de farelo para um consumo de 87,0 milhões de toneladas, e 0,20 milhão de toneladas de óleo para uma demanda interna de 21,0 milhões de toneladas. Em contrapartida, o país mantém a meta de importar anualmente entre 110,0 e 115,0 milhões de toneladas de soja em grão para esmagamento doméstico.
Máquinas no campo, pouca oferta e prêmios portuários sustentados no Brasil
No cenário doméstico brasileiro, os agricultores mantêm postura cautelosa e limitam o volume disponibilizado para venda. O foco principal das propriedades está centrado no avanço do plantio, enquanto os vendedores monitoram o comportamento dos preços na expectativa de repiques mais firmes ao longo da entressafra. Segundo levantamento da consultoria Safras Mercado, a semeadura da safra nacional atingiu 4,3% da área projectada, praticamente alinhada com os 4,4% de igual período do ciclo antecedente e acima da média histórica de 3,7%.
No ambiente financeiro e de formação física de preços, o câmbio opera próximo a R$ 5,20 por dólar. Os prêmios de exportação nos portos mantêm suporte e sustentam as seguintes referências:
Mercado disponível (spot): entre +135 e +150 centavos de dólar por bushel sobre Chicago;
Novembro/26: entre +140 e +160 centavos de dólar por bushel;
Dezembro/26: na faixa de +125 a +150 centavos de dólar por bushel.
Nas praças de comercialização, as indicações de compra no oeste do Paraná oscilam entre R$ 152,00 e R$ 154,00 por saca, variando conforme os prazos de pagamento, o local de retirada e a época de embarque. Para a entrega no porto de Paranaguá, as indicações situam-se na faixa de R$ 161,00 a R$ 163,00 por saca, com diferenciais atrelados a liquidações mais curtas ou alongadas.
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