A semeadura da safra de soja 2026/27 em Mato Grosso segue em ritmo contido, pautada pela prudência agronômica. Levantamento semanal divulgado nesta sexta-feira (25) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta que os trabalhos de campo avançaram 2,73 pontos percentuais na semana, alcançando 3,87% da área total estimada. Apesar do progresso, o ritmo atual está 2,10 pontos percentuais abaixo dos 5,97% registrados no mesmo período do ciclo 2025/26, com atrasos operacionais identificados em todas as macrorregiões mato-grossenses.
A lentidão é reflexo direto do déficit hídrico superficial. A analista de Agricultura do Imea, Milena Bezerra, explica que os produtores estão evitando assumir riscos biológicos desnecessários em um cenário de previsões meteorológicas irregulares:
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"Os produtores estão mais cautelosos em semear no pó, principalmente diante da baixa umidade no solo e das previsões de redução das chuvas associadas ao El Niño."
O maior dinamismo nos trabalhos ocorreu na região Oeste, onde a semeadura saltou de 2,19% para 7,56% da área (avanço semanal de 5,37 p.p.), beneficiada por precipitações pontuais mais volumosas. No Médio-Norte, coração da produção estadual, o plantio atingiu 5,38%, enquanto o Centro-Sul computou 3,77%.
Nas demais áreas, o descompasso frente ao ano anterior é expressivo:
Noroeste: maior atraso relativo do estado, com defasagem de 4,44 p.p. em relação à safra passada;
Norte: atraso de 3,58 p.p.;
Médio-Norte: atraso de 2,63 p.p.
Semelhança com a safra 2023/24 e janela da safrinha
Embora distante do ritmo observado no ano passado, o andamento atual encontra forte paralelo histórico com a temporada 2023/24, que também foi impactada por um evento severo de El Niño. Naquele período, sob estresse hídrico semelhante, a semeadura estava em ritmo praticamente equivalente, apenas 0,32 p.p. à frente do ciclo atual. Quando confrontado com a média dos últimos cinco anos (3,64%), o índice de 3,87% revela que o calendário de plantio ainda se mantém dentro de uma normalidade estatística.
O comportamento dos trabalhos nas próximas semanas dependerá da chegada de frentes chuvosas consistentes. Com previsões de baixos acumulados de precipitação para os próximos dias, o avanço das máquinas deve permanecer limitado no curto prazo. A expectativa dos técnicos e produtores concentra-se na primeira semana de outubro, quando a volta de chuvas generalizadas poderá acelerar a semeadura e garantir a segurança necessária para a germinação uniforme das lavouras.
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