A necessidade de construir pontes sólidas entre o rigor dos mercados consumidores globais e a realidade operacional dentro da porteira colocou os protocolos de sustentabilidade no centro estratégico do agronegócio. Ao completar 20 anos de atuação em 2026, a Mesa Redonda da Soja Responsável (RTRS) reforça sua estratégia para consolidar a certificação como um instrumento dinâmico, desenhado para acompanhar a evolução das barreiras regulatórias e garantir remuneração ao produtor rural.
Completando um ano à frente da entidade, a diretora-executiva Marina Muscolo aponta o diálogo multissetorial — reunindo agricultores, indústria de processamento, tradings, bancos, varejistas e sociedade civil — como o grande diferencial competitivo da organização.
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“O grande valor da RTRS está em ser uma mesa-redonda multissetorial, onde diversos interesses e perspectivas se juntam em um mesmo espaço de diálogo. Ao colocar todos nessa conversa, conseguimos trabalhar os desafios comuns e construir soluções mais sustentáveis”, afirma a executiva.
A flexibilidade dos parâmetros torna-se imperativa diante do avanço de leis antidesmatamento e exigências de conformidade nas importações europeias e asiáticas.
“O mercado e as regulações estão mudando rapidamente, e ainda estamos vendo como essas exigências vão amadurecer. Precisamos adaptar a certificação para que ela seja útil para a indústria e, ao mesmo tempo, gere retorno para o produtor”, destaca Marina Muscolo.
Volume recorde de 10,3 milhões de toneladas e inclusão produtiva
Os números recentes confirmam a aceleração da procura por matérias-primas com conformidade assegurada. Em 2025, a RTRS atingiu a marca histórica de 10,3 milhões de toneladas de soja certificada, expressivo crescimento de 42% sobre o ciclo antecedente. No mesmo período, o consumo físico e a aquisição de créditos do grão responsável somaram 8,1 milhões de toneladas, avanço de 9,5%.
A arquitetura do sistema apoia-se em cinco princípios mestres e 108 indicadores auditáveis, cobrindo aspectos essenciais de governança e gestão ambiental, parâmetros de responsabilidade social e relações de trabalho, diretrizes voltadas a Boas Práticas Agrícolas (BPA) e critérios rigorosos de não-conversão de vegetação nativa e desmatamento zero.
O modelo abrange desde megaoperações agrícolas até agricultores familiares por meio da certificação em grupo, modalidade que reúne mais de 84 mil produtores (mais de 90% da base total certificada), com forte presença na Índia e em Uganda. Segundo Marina Muscolo, novos padrões específicos estão sendo desenhados para simplificar a burocracia e ampliar o acesso desse público às auditorias.
Para os próximos anos, a RTRS moderniza o sistema de Cadeia de Custódia (Chain of Custody – CoC), viabilizando um formato híbrido que integra a segregação física da carga e o comércio de créditos ambientais. A entidade reforça que, embora o selo agregue alto valor de mercado e garanta transparência socioambiental, ele funciona de forma complementar e não substitui os processos compulsórios de geolocalização lote a lote, avaliação de risco e due diligence exigidos pelas legislações internacionais.
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