As exportações brasileiras de tilápia registraram avanço de 7% em setembro de 2026, totalizando 594 toneladas despachadas aos terminais externos, frente às 553 toneladas embarcadas no mês imediatamente anterior. Em termos de receita cambial, no entanto, os embarques apontaram ligeira retração de aproximadamente 1%, fechando em US$ 3,40 milhões, contra os US$ 3,45 milhões faturados em agosto. As estatísticas oficiais são da Embrapa Pesca e Aquicultura e foram detalhadas durante reunião setorial da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), que enfatizou os crescentes desafios de rentabilidade enfrentados pela cadeia no mercado doméstico.
No ambiente interno, levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) revela que as cotações pagas aos piscicultores pela tilápia viva operaram sob relativa estabilidade, com viés negativo pontual nas principais bacias produtoras. O recuo mais perceptível ocorreu no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (MG), onde os preços caíram 2,29%, atingindo média de R$ 9,38 por quilo. No Norte do Paraná, a desvalorização mensal foi de 0,59%, enquanto a praça de Morada Nova de Minas (MG) apurou retração de 0,75%.
Divisórias em aquários reduzem o stresse em tilápias
Falta de energia no campo ameaça piscicultura no Paraná
No canal de distribuição atacadista de filé congelado, o consumo continuou operando com ritmo cadenciado, resultando em queda nos preços médios praticados em São Paulo e Minas Gerais, ante ligeira valorização observada no Paraná. As unidades frigoríficas de beneficiamento seguem comprimidas por margens estreitas, enfrentando entraves para repassar os custos industriais aos grandes centros de distribuição e resistindo à forte concorrência de outras proteínas animais nas redes varejistas.
Ração mais cara e salto nas importações do vietnã
O principal gargalo econômico da atividade concentra-se na escalada dos custos zootécnicos de arraçoamento, impulsionados pela valorização recente do farelo de soja e do milho. De acordo com o Cepea, o poder de compra do piscicultor frente à ração comercial extrusada com 32% de proteína bruta encolheu pelo terceiro mês consecutivo em setembro, refletindo a perigosa tesoura entre receitas estagnadas na porteira e despesas nutricionais em alta.
Paralelamente à pressão de insumos, o mercado doméstico absorveu uma ampliação expressiva na concorrência estrangeira. As importações brasileiras de tilápia originadas no Vietnã avançaram 11% em setembro, somando cerca de 1.324 toneladas — volume que mais do que dobra o total exportado pelo Brasil no mesmo intervalo. O estado de São Paulo despontou como o principal destino dos lotes asiáticos. O valor médio do produto importado também registrou alta, alcançando US$ 4,35 por quilo, situando-se acima da média de US$ 4,14/kg computada entre janeiro e setembro.
O presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, enfatizou a urgência de vigilância institucional sobre as regras de acesso ao mercado:
"Diante desse cenário, a Peixe BR segue acompanhando as questões comerciais e regulatórias relacionadas às importações e buscando alternativas para ampliar a competitividade da tilápia brasileira."
