A produção de laranja no cinturão citrícola que engloba o estado de São Paulo e as regiões do Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais deverá atingir 263,1 milhões de caixas de 40,8 quilos na safra 2026/27. O volume projetado consolida uma retração de 10,2% frente às 292,9 milhões de caixas colhidas na temporada anterior, mesmo diante de um ligeiro avanço de 1,1% na área total cultivada, atualmente calculada em 366,1 mil hectares.
Os dados constam no mais recente levantamento elaborado pelo Departamento Técnico da Faesp, estruturado a partir de números consolidados pelo Fundecitrus. O relatório aplicou uma correção positiva de 3,1% em relação à estimativa divulgada em maio, impulsionada pelo maior desenvolvimento biométrico das laranjas de meia-estação e tardias, cujo peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto.
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Apesar desse ajuste, a produtividade média do parque citrícola segue em trajetória de baixa, caindo de 809 para 719 caixas por hectare. O encolhimento do rendimento reflete a menor carga de frutos fixados por planta, a instabilidade pluviométrica regional e, prioritariamente, o avanço agressivo de entraves fitossanitários, com destaque para o cancro cítrico e o greening (HLB). A taxa de queda prematura de frutos alcançou 24,1%, aumento de 1,3 ponto percentual em comparação à previsão de maio. As precipitações registradas entre maio e agosto também ditaram um ritmo mais cadenciado à colheita, prolongando o tempo das laranjas nos ramos à espera do ponto ideal de maturação industrial.
Noroeste paulista dispara enquanto Centro e Sudoeste sofrem perdas severas
O comportamento dos pomares revela contrastes geográficos acentuados no cinturão citrícola. O setor Norte, integrando o Triângulo Mineiro, Bebedouro e Altinópolis, sustenta o posto de principal polo produtor, projetando 72,3 milhões de caixas, volume praticamente estável ante o ciclo passado. Já o grande destaque positivo é o Noroeste paulista, que projeta avanço de 46,6% na produção, saltando de 20,1 milhões para 29,4 milhões de caixas, com ganho de 39,4% na produtividade por talhão (794 caixas por hectare). Norte e Noroeste são as únicas faixas geográficas com perspectiva de alta em relação ao ciclo 2025/26.
Na contramão desse desempenho, as demais regiões enfrentam perdas expressivas. O Sudoeste deve colher 58,2 milhões de caixas (-24,9%), com produtividade encolhendo para 723 caixas por hectare (-25,5%). A porção Sul projeta 35,6 milhões de caixas, queda de 14,4% e rendimento de 596 caixas por hectare. O Centro do estado sofreu o revés mais agudo do levantamento, com colheita de 67,6 milhões de caixas (-17,2%) e produtividade reduzida a 668 caixas por hectare (-18,1%). A região central foi a única que piorou em relação à estimativa de maio (-2,9%), pressionada diretamente pela severidade do greening e pelo abortamento precoce de frutos.
No recorte varietal, as cultivares tardias sentiram o maior golpe fitossanitário: a variedade Natal despencou 33,5% ante o ciclo anterior, e a Valência/Folha Murcha recuou 22,8%. A Pera Rio manteve estabilidade (-0,1%). Em sentido inverso, as variedades precoces como Hamlin, Westin e Rubi cresceram 9,7%, enquanto as demais precoces avançaram 11,8%. Com a aproximação da segunda metade do ciclo e a chance de consolidação do fenômeno El Niño, o mercado de suco concentrado opera em atenção máxima diante da oferta restrita e da sustentação dos preços nas indústrias de moagem.
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