Desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC-APTA), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, as cultivares de maracujá azedo amarelo IAC 275 Maravilha e IAC 1013 Laureado consolidam presença em polos produtivos de todo o Brasil. Voltadas à indústria de sucos, néctares e polpas concentradas, as variedades atendem a rigorosos padrões fabris com rendimento de polpa superior a 50%, coloração alaranjada intensa e teor de sólidos solúveis que atinge até 17 graus Brix.
Entre 2025 e o primeiro semestre de 2026, os principais estados com plantios registrados para uso industrial foram São Paulo, Minas Gerais, Maranhão e Paraná, seguidos por Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Tocantins, Alagoas, Pernambuco, Pará, Bahia, Rondônia, Acre e o Distrito Federal.
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Em São Paulo, com destaque para a região de Fartura e diversos polos do interior, a cultura se estabeleceu como alternativa estratégica para a agricultura familiar, oferecendo ciclo rápido, facilidade no manejo e fluxo contínuo de receita durante a maior parte do ano.
Manejo agronômico, colheita e plantio consorciado
O pesquisador do IAC José Luiz Hernandes detalha que, em agosto, os produtores paulistas encerram o ciclo produtivo: quem adota duas safras no mesmo plantio realiza podas e limpezas entre agosto e setembro, enquanto quem opta por safra única renova a área para o próximo plantio.
Hernandes recomenda o plantio conjunto das duas cultivares em proporção de 50% cada, otimizando os índices de sólidos solúveis e a intensidade visual da polpa. O fruto da IAC 275 tem formato predominantemente médio e alongado, enquanto a IAC 1013 caracteriza-se por frutos médios e arredondados. Na região Sudeste, a época de maturação concentra-se entre janeiro e julho, variando conforme a insolação regional nas regiões Norte, Nordeste e Sul.
Como as colheitas ocorrem com frequência quase diária ao longo de cerca de seis meses, a proximidade com agroindústrias locais e cooperativas é fundamental para reduzir custos logísticos de frete.
Polinização eficiente e aproveitamento integral
O maracujá azedo (Passiflora edulis) responde por cerca de 90% dos pomares brasileiros. Para assegurar frutos cheios e de alta densidade, o manejo da polinização é determinante: as abelhas mamangavas atuam como polinizadores naturais no período da tarde, exigindo que as pulverizações agrícolas sejam realizadas exclusivamente pela manhã.
Ainda assim, o pesquisador recomenda a polinização manual complementar para maximizar o pegamento e o peso médio dos frutos. Além do suco rico em vitamina A, cálcio e fósforo, a cultura permite a comercialização de subprodutos como cascas e sementes para nutrição animal, óleos essenciais e insumos fitoterápicos e cosméticos. O IAC fornece sementes a viveiristas e ao Serviço de Produção de Sementes e Mudas da Cati.
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