O cultivo de cacau consolida-se como uma opção estratégica para diversificação produtiva e geração de renda no campo em Mato Grosso. Tradicionalmente concentrada na região Noroeste do estado — em municípios como Juína, Cotriguaçu e Nova Bandeirantes —, a atividade vem se expandindo para novas fronteiras agrícolas, incluindo Santo Antônio do Leverger, Campo Verde, Nobres, Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Barão de Melgaço, Alto Paraguai e Tangará da Serra.
O avanço é respaldado pela difusão de jardins clonais, viveiros certificados e materiais genéticos desenvolvidos pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), adaptados às condições edafoclimáticas mato-grossenses.
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O diretor de Projetos da Federação dos Agricultores Familiares de Mato Grosso (Fedaf MT), coronel Paulo Selva, pontua o potencial econômico do setor diante do déficit estrutural de oferta no país:
"A cultura do cacau apresenta excelente rentabilidade e existe um mercado consumidor interno que necessita de matéria-prima. O Brasil ainda precisa importar cacau para atender à demanda por amêndoas. Isso demonstra que existe espaço para novos produtores."
Por se tratar de uma lavoura perene com ciclo produtivo de várias décadas, o cacau permite a convivência harmoniosa com outras atividades agropecuárias na propriedade rural.
Assistência técnica e gerencial como motor de rentabilidade
Para transformar o potencial produtivo em sustentabilidade econômica, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) atua por meio do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG). O atendimento acompanha 31 produtores na região Norte do estado, estruturando indicadores de gestão, controle de custos, podas, irrigação, adubação e manejo fitossanitário.
A supervisora da ATeG Fruticultura e Olericultura do Senar MT, Cristiani Bernini, reforça a importância da profissionalização da lavoura:
"A cacauicultura tem potencial para se tornar uma importante alternativa de diversificação de renda para a agricultura familiar em Mato Grosso. Mas, para isso, é fundamental que o produtor tenha acesso a conhecimento, planejamento e acompanhamento técnico. A nossa função é contribuir para que ele tome decisões mais seguras, conheça os custos da atividade e consiga enxergar o cacau como um negócio."
Além da venda da amêndoa seca, a atividade viabiliza a verticalização da cadeia e a agroindustrialização na fazenda:
Polpa e mel de cacau: aproveitamento na elaboração de sucos, geleias, doces, bebidas fermentadas e licores;
Amêndoas processadas: fabricação de nibs, cacau em pó, manteiga de cacau e chocolates finos artesanais;
Resíduos e cascas: utilização sustentável na formulação de adubos orgânicos e biofertilizantes.
Difusão e conexão com o consumidor no Festival do Chocolate
A difusão do cacau mato-grossense ganhará destaque no 8º Festival do Chocolate de Cuiabá, evento realizado entre os dias 28 e 30 de agosto, na Arena Pantanal.
No espaço do Sistema Famato/Senar MT, o público terá acesso à "Trilha do Saber e Sabor", circuito demonstrativo que apresentará todas as fases da cadeia produtiva — desde o manejo das mudas clonais, quebra do fruto, fermentação e secagem até o processamento da barra de chocolate. A programação inclui ainda a Feira Natural do Campo para venda direta de produtos da agricultura familiar, o Mutirão Rural com atendimentos de saúde e a Carreta dos Pequenos do Agro com palestras educativas.
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