A proximidade da entrada em vigor das novas regras da União Europeia para a importação de produtos de origem animal, marcada para 3 de setembro de 2026, tem gerado apreensão na pecuária brasileira sobre quais insumos veterinários poderão continuar sendo aplicados no campo. Diante desse cenário, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) defende a manutenção dos usos aprovados de antimicrobianos e propõe que as diretrizes do bloco sejam atendidas por meio da segregação das cadeias produtivas, com rastreabilidade e auditoria oficial.
A entidade destaca que as ferramentas em discussão são eficazes, seguras e possuem registro nos órgãos reguladores brasileiros e no Codex Alimentarius. Para o setor, o cumprimento dos critérios europeus não deve resultar em proibições generalizadas no mercado interno ou para destinos comerciais que aceitam tais moléculas.
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Emilio Salani, vice-presidente Executivo do Sindan, contextualiza o posicionamento: "Reconhecemos a importância estratégica das exportações brasileiras e defendemos que o atendimento às exigências da União Europeia seja construído com base em critérios técnicos e científicos, sem a necessidade de restrições generalizadas de ferramentas sanitárias que comprometem a competitividade do setor e a disponibilidade de proteína segura, de qualidade e em volume adequado."
O modelo de segregação conta com precedentes no próprio Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e em grandes exportadores globais, como Estados Unidos, Austrália, Canadá e Argentina, que mantêm a separação de lotes sem banir tecnologias do manejo geral.
Eficiência zootécnica, sanidade e sustentabilidade dos ionóforos
Entre os principais alvos de atenção estão os ionóforos anticoccidianos (como monensina, salinomicina, lasalocida e narasina), utilizados há cerca de 50 anos na bovinocultura de corte e classificados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como não importantes para a medicina humana.
O uso contínuo dessas moléculas entrega indicadores consolidados para a terminação animal:
Ganhos econômicos: acréscimo de cerca de uma arroba por animal ao ano, redução de 15 a 20 dias no ciclo de engorda e lucro líquido de aproximadamente R$ 120 por cabeça em confinamento de 100 dias;
Rendimento e conversão: elevação de 1% a 1,5% no rendimento de carcaça, melhora de 4% a 10% na conversão alimentar e recuo de 5% a 8% no custo da arroba produzida;
Sanidade animal: redução de até seis vezes na mortalidade por coccidiose e auxílio direto na prevenção da acidose lática ruminal;
Sustentabilidade: diminuição de 20% a 30% na emissão de metano entérico por quilo de ganho de peso, evitando o lançamento de cerca de 8 milhões de toneladas de CO₂ equivalente ao ano no Brasil.
Capacitação técnica e articulação regulatória com o Mapa
Para mitigar a insegurança jurídica e operacional no campo, o Sindan estruturou um programa de capacitação com médicos-veterinários, indústrias e produtores rurais. A meta é padronizar conceitos técnicos e esclarecer quais produtos e finalidades permanecem autorizados nas propriedades elegíveis para a União Europeia.
Paralelamente, a entidade atua junto ao Mapa na revisão de normativas e harmonização de protocolos para assegurar a conformidade sanitária nas exportações ao bloco europeu, preservando o acesso do produtor brasileiro às ferramentas de sanidade e nutrição.
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