O setor brasileiro de biocombustíveis e bioenergia alcançou a expressiva marca de R$ 289 bilhões em investimentos cadastrados em projetos voltados à transição energética. O montante foi apresentado durante o painel "Biocombustíveis e Transição Energética", que encerrou a terceira edição do Global Agribusiness Festival (GAFFFF), nesta quinta-feira (02/10), em São Paulo. O debate reuniu lideranças empresariais, especialistas e parlamentares para discutir a inserção do combustível renovável em novas fronteiras globais de descarbonização.
A mesa de debates contou com a moderação de Plínio Nastari, presidente da DATAGRO, além das presenças de Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP); Arnaldo Jardim, deputado federal e presidente da Comissão Especial de Transição Energética e Hidrogênio Verde; Mário Campos, presidente executivo da SIAMIG/Bioenergia Brasil; e Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente do Grupo Potencial.
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Para Arnaldo Jardim, o país vive um momento singular ao integrar suas duas maiores aptidões globais: "O Brasil tem uma oportunidade de integrar duas de suas principais vocações, a produção de alimentos e a produção de energia. O biocombustível é mais do que cada um isolado. É um eixo de industrialização do Brasil", destacou o parlamentar.
Jardim salientou que cerca de 23% do milho colhido no país já é processado em usinas de etanol, gerando coprodutos nobres como DDG e óleo de milho para alimentação de aves, suínos e bovinos de corte.
SAF, navegação e biometano: a diversificação das matrizes limpas
A indústria de biocombustíveis já ultrapassou os limites dos motores flex de veículos leves. Conforme detalhou Mário Campos, presidente executivo da SIAMIG/Bioenergia Brasil, a consolidação de métricas regulatórias como o RenovaBio e o mercado de Créditos de Descarbonização (CBIOs) permitiu ao setor mensurar a pegada de carbono com precisão técnica e avançar sobre rotas antes dominadas por derivados de petróleo.
Entre os novos vetores de demanda estão o combustível sustentável de aviação (SAF), o biogás, o biometano para frotas pesadas e o transporte marítimo de longo curso. Em julho, o setor celebrou o primeiro abastecimento experimental de um navio internacional com mistura contendo etanol, abrindo uma vitrine direta para armadores globais. No campo, o biometano gerado a partir de vinhaça e resíduos da cana já substitui o diesel no transporte de cana-de-açúcar e maquinários agrícolas.
Campos chamou atenção para a arrancada geográfica do cereal na matriz líquida: "Inexistente há cerca de uma década, o etanol de milho já responde por 30% de todo o etanol fabricado no Brasil, interiorizando refinarias e parques industriais no Centro-Oeste e nos estados do Sul."
Ao analisar a geopolítica dos combustíveis, Roberto Ardenghy, presidente do IBP, ponderou que o movimento atual deve ser compreendido como uma evolução em vez de ruptura: "Mais do que transição energética, é uma evolução energética, onde todas as energias estão entrando na matriz energética mundial. Nós teremos um aumento brutal no consumo de energia nas próximas décadas", alertou Ardenghy, reforçando que a complementaridade de fontes será indispensável para suprir a demanda global sem inflacionar custos.
Nastari ressaltou que a construção pioneira de plataformas de certificação de intensidade de carbono posiciona o Brasil em vantagem competitiva para absorver o excedente produtivo e arbitrar volumes tanto para abastecimento interno quanto para acordos de exportação verde.
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